Chegamos a 2031 e a web não se partiu em duas: ela ganhou um fundo falso. Todo site comercial de tamanho relevante tem duas superfícies — a página, que quase ninguém vê, e a interface de máquina, que responde pela maior parte das requisições e por uma parte crescente da receita. A camada de tarifação se consolidou onde havia quem cobrar e quem pagar: grandes editoras, dados financeiros, catálogos de produto, documentação de software pago. Fora daí, o acesso de máquina continua de graça, porque cobrar US$ 0,0004 de um agente custa mais caro do que deixar passar. O llms.txt foi abandonado sem cerimônia por volta de 2028, substituído por alguma outra marcação que também será medida antes de ser usada. A distinção humano-máquina nunca foi resolvida: virou um mercado de detecção de algumas centenas de milhões de dólares por ano, com falso positivo recorrente em cima de pessoas que navegam de…
Em 2031 existe um padrão de identidade de máquina que passou por grupo de trabalho de verdade, com mais de uma implementação independente e um caminho para quem não é operadora de agente assinar o próprio: o agente pessoal de uma pessoa física consegue crachá, e portanto consegue entrar. O pagamento por acesso encontrou uma unidade que dá para auditar de fora — não "apareceu na resposta", que só quem responde sabe, mas algo verificável pelas duas pontas —, e existe uma entidade coletiva com governança pública cobrando em nome de quem publica pouco, de modo que o site de um professor ou de um veículo local recebe alguma coisa em vez de nada. O WebMCP virou primitiva e, por um efeito colateral feliz, trouxe de volta o incentivo ao HTML semântico: o que é bom para o agente ler é o mesmo que é bom para o leitor de tela, e a acessibilidade ganhou um financiador que ela nunca teve. Para…
Em 2031 há um registro de agentes credenciados operado por três empresas, e ser agente sem estar nele significa receber a versão degradada da web: sem conteúdo completo, sem preço, sem ação. Quem emite as chaves decide o que cada agente pode ler, e a decisão não tem recurso porque não é pública nem regulada. Em paralelo — e é isto que torna o cenário pior que a simples concentração — o disfarce continua funcionando: quem não quer se identificar não se identifica, passa como Chrome e lê tudo de graça, de modo que a tranca só prende quem foi honesto. Cobra-se de quem declarou; deixa-se passar quem mentiu. O conteúdo que alimenta os modelos é o que sobrou de graça, enviesado para o que não tinha preço, e a qualidade da resposta cai de um jeito que ninguém consegue atribuir a uma causa. A web aberta não morre de repente: ela vira um lugar de onde as coisas boas foram retiradas. O sinal…