# Aula de 15/09 — Métodos de prospecção e as skills lado a lado

*CIN0055 · Tendências em Mídia e Interação · 2026.2 · terça 15/09, 10h, remota (Meet de sempre)*

É a única aula síncrona entre a escolha de temas e o começo das apresentações. Serve para duas
coisas: colocar nome e limite nos métodos que vocês estudaram sozinhos na Atividade 03, e olhar
as nove skills da turma lado a lado — o que elas fazem igual, o que fazem diferente, e o que a
rodada cruzada mostrou. A ordem sorteada já estará publicada desde segunda 8h.

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## Roteiro (100 minutos)

| Tempo | O quê |
|---|---|
| 0–10 | A ordem sorteada, as três datas de cada um (apresentação, teste, final) e o que muda com a semana do ENEXC. |
| 10–40 | **Métodos de prospecção**: o que cada um prescreve que uma roda ingênua não faz — e para que ele não serve. |
| 40–80 | **As skills lado a lado**: cinco pares que contrastam de forma instrutiva. Cada par: dois minutos de cada autor, cinco de discussão. |
| 80–95 | O que a rodada cruzada mostrou, e a skill do professor: as seis coisas que ela faz e por quê. |
| 95–100 | O que entregar até 16/09 23h59 (quem apresenta em 17/09) e como o mapa adversarial funciona na aula. |

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## 1. Métodos de prospecção — o que cada um acrescenta, e para que não serve

Todos vieram dos `ESTUDO.md` de vocês ou da curadoria feita para a skill do professor. Referência
completa, com os links que abriram, em `skill-professor/CURADORIA.md` (mostrada em aula).

**Futures Wheel — Glenn (1971).** Anéis concêntricos completos, não cadeias soltas; para gerar o
segundo anel, esquece-se o centro e deriva-se de cada impacto primário. A "regra da unanimidade"
(só entra o que todos julgam plausível) existe porque o método "leva rápido a consequências tão
especulativas que valem pouco". A versão 2 obriga a percorrer domínios fixos (político, cultural,
ambiental, psicológico, tecnológico, educacional, econômico) para que o economista não veja só
economia. *Para que não serve:* nas palavras do próprio Glenn, a roda "pode fazer o grupo achar
que entendeu relações causais quando só identificou correlações", e "não é melhor que o
julgamento coletivo de quem está na sala". É insumo para outros métodos, não resultado.

**Efeitos de 1ª, 2ª e 3ª ordem.** Ordem mede distância causal, não distância no tempo: um efeito
de terceira ordem pode chegar cedo e um de primeira pode demorar. O que separa uma ordem da
seguinte é a troca de ator ou de mecanismo; se o "filho" é o pai mais adiante, é o mesmo efeito
amadurecendo. *Para que não serve:* três níveis porque o formato manda não é critério de parada.

**Causal Layered Analysis — Inayatullah (1998).** Quatro camadas: litania (manchete), causas
sistêmicas, visão de mundo, mito. Um efeito de terceira ordem que só muda a litania ("mais do
mesmo") é suspeito; o que muda a visão de mundo é o que a disciplina chama de "mundo diferente".
Dois conceitos para a entrevista da skill: o *used future* (a sua imagem do futuro é sua ou
emprestada?) e o *disowned future*. *Para que não serve:* números e previsão.

**Three Horizons — Sharpe et al. (2016).** H1 é o sistema atual perdendo o encaixe; H3 já existe
nas bordas ("bolsões do futuro no presente"); H2 é a inovação de transição, que pode ser **H2+**
(abre caminho para H3) ou **H2−** (é reabsorvida pelo H1 e vira melhoria incremental). É metade
do critério de maturidade: tecnologia nova que só reforça H1 é sustentadora. *Para que não
serve:* cronologia (não há anos por horizonte) e portfólio — o "Three Horizons" da McKinsey
(1999) é outro método com o mesmo nome. Atenção aos `ESTUDO.md`: a turma atribuiu o método ora a
"Sharpe 2013", ora a "Hodgson et al. 2006"; o artigo de referência é Sharpe, Hodgson, Leicester,
Lyon e Fazey, *Ecology and Society*, 2016.

**Disruptivo × sustentador — Bower e Christensen (1995).** Sustentadora melhora o que os
clientes principais já valorizam; disruptiva desempenha *pior* nos atributos que o mercado
principal valoriza, é adotada por um mercado marginal e sobe. É o teste da seção 4 do formato:
"o que ela rompe, para quem, e o que ela faz pior hoje". *Para que não serve:* a maioria do que se
chama disruptivo no discurso é sustentador pelo critério; e o modelo é sobre estrutura de
mercado, não sobre sociedade.

**Difusão de inovações — Rogers (1962).** Curva S por categorias (2,5 % inovadores, 13,5 %
adotantes iniciais, 34 % maioria inicial…) e cinco atributos que explicam a velocidade: vantagem
relativa, compatibilidade, complexidade, testabilidade, observabilidade. A regra "está em mais da
metade dos dispositivos = maduro" de uma skill da turma é, em Rogers, "passou da maioria
inicial". *Para que não serve:* dizer **se** e **quando** a decolagem ocorre — a curva descreve o
que já se difundiu.

**TRL — níveis de prontidão tecnológica (NASA).** De 1 (pesquisa começando) a 9 (provado em
operação). TRL ≤ 6 é emergente por definição. *Para que não serve:* adoção, prontidão regulatória
ou de modelo de negócio; e foi feito para hardware, não para software, onde protótipo e produto
se confundem.

**Hype Cycle — Gartner, e a crítica de Dedehayir e Steinert (2016).** A curva descreve
expectativa, não maturidade. Na revisão de 23 casos empíricos, menos da metade mostrou o padrão
completo; na reavaliação dos autores, quatro. A posição de uma tecnologia na curva é juízo de
analista, não medida. *Para que serve:* vocabulário para "visibilidade ≠ maturidade" e um alerta:
efeito de primeira ordem no pico de expectativas tende a ser superestimado. *Para que não
serve:* prever tempo até o platô, ou justificar "é disruptivo porque a Gartner pôs no gráfico".

**Quadrante Mágico — Gartner.** Mede a posição de fornecedores num mercado que já existe
(capacidade de execução × completude de visão). *Para que não serve:* futuro. Fala de mercado.

**Superforecasting — Tetlock (2015).** Visão de fora antes da de dentro: ache a classe de
referência (que tecnologia comparável se difundiu nessa velocidade, em quanto tempo?) e só depois
ajuste pelas diferenças. "Por que posso estar errado" é obrigatório. *Para que não serve:* efeitos
de terceira ordem em 2031 raramente são resolúveis por um terceiro numa data; sem resolubilidade
não há placar. O que se transfere é a disciplina do base rate, não a nota Brier.

**Cone de futuros — Voros (2003).** *Projected* (a extrapolação padrão), *probable*,
*plausible*, *possible*, *preposterous* — e *preferable*, à parte. O teste "isto é extrapolação
linear?" da seção 7 é exatamente "isto é *projected* disfarçado de terceira ordem?". *Para que
não serve:* probabilidades numéricas.

**Sinais fracos — Ansoff (1975), Hiltunen (2008).** O signo do futuro tem três dimensões: o
sinal (a observação), a questão emergente (o que pode indicar) e a interpretação — confundi-las é
o erro comum. Duas notícias da mesma fonte primária contam uma. *Para que não serve:* um sinal
fraco não é evidência de efeito; é motivo de vigilância, com indicador e limiar.

**Wildcards — Petersen (1997).** Baixa probabilidade, alto impacto, lista separada, cada um com
"por que é improvável", "qual seria o impacto" e "que sinais observar". *Para que não serve:*
"cisne negro" como desculpa para pôr na roda efeito sem mecanismo.

**Pré-mortem — Klein (2007).** "É 2031 e este mapa se mostrou errado. Por quê?" — no passado, não
no condicional; a moldura força especificidade. É a forma mais barata de duvidar do próprio
resultado, efeito por efeito. *Para que não serve:* efeito sem forma — sem mecanismo, não há o que
derrubar.

**Cenários — Wilkinson e Kupers (2013, sobre a Shell).** Histórias, não previsões; poucos,
plausíveis, escritos no passado do ano-horizonte, feitos para desafiar a estratégia. É a seção 9
do formato. *Para que não serve:* escolher um cenário ou dar probabilidade a ele.

**Wind tunnelling.** Matriz opção × cenário: o que sobrevive a todos os cenários é robusto, o
que só funciona num é aposta. O experimento do movimento 3 pode ser testado assim contra os três
cenários da seção 9. *Para que não serve:* escolher o cenário "certo".

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## 2. As skills lado a lado

Nove skills entregues até 10/09 (a décima chega atrasada). Todas foram lidas por inteiro; o que
está na tabela foi checado por script, não por impressão. As colunas são as quatro exigências do
enunciado: **(a)** entrevista antes de rodar, **(b)** critério escrito para recusar o maduro,
**(c)** passo que altera a roda ao duvidar dela, **(d)** saída no formato.

| login | onde roda | (a) | (b) | (c) | (d) | o que ela tem que as outras não têm |
|---|---|---|---|---|---|---|
| vafs | Claude Code | sim | sim | sim | sim | pular a entrevista rebaixa a confiança de todo o mapa — o custo é visível |
| meap | Claude Code, GPT-4o | sim | sim | sim | sim | teste da "causa solta": tira a raiz e vê se o efeito aconteceria por outro motivo |
| kvv | não declarado | sim | parcial | parcial | não | pergunta as ideias óbvias que devem ficar de fora antes de rodar |
| jcsc | Claude Code | sim | sim | sim | parcial | registra o valor original antes de rebaixar — a autocrítica é auditável |
| bvga | Codex | sim | sim | sim | sim | maturidade em duas dimensões; "quem tem incentivo para bloquear a mudança?" |
| yrv | Claude Code | sim | sim | sim | sim | cota de dano: pelo menos um efeito morto por raiz, senão "a bateria foi frouxa" |
| mjbo | Claude Code | sim | sim | sim | sim | script de checagem rodado e colado — e um bug pego porque o número não fechava |
| alpa2 | Claude.ai | sim | sim | sim | sim | só pergunta o que falta; "maduro é sobre uso comum, não sobre parecer recente" |
| jgpt | Claude (chat) | prescrito | prescrito | prescrito | sem rodada | regra para cada recusa do usuário ("pula a entrevista" ainda exige três confirmações) |

**O que quase todos fizeram:** a mesma entrevista (horizonte, público, geografia, descartes,
viés); a tríade "rompe / por que agora / o que falta" como critério de maturidade; os quatro
itens da seção 7 como contestação; o esqueleto do formato colado dentro da skill.

**O que quase ninguém fez:** relacionar `prazo` a `horizonte` (cinco de oito rodadas têm efeitos
depois do ano-alvo sem aviso); uma regra de parada que não seja "três níveis porque o formato
manda"; calibrar `sinal` e `confiança` por evidência em vez de por posição na árvore; modelar
quem freia; tratar convergência entre raízes.

**Os efeitos que apareceram em quatro mapas cada:** "cursos e formação reorganizam o currículo"
e "reguladores criam categoria ou lei nova". Servem para qualquer tema — que é a definição de
efeito genérico que duas das próprias skills adotam.

### Os cinco pares da aula

1. **yrv × jcsc — a entrevista e o horizonte.** Nove perguntas com eco de confirmação, contra
   cinco respondidas numa linha. E o mesmo problema tratado de dois jeitos: uma escreveu a regra
   de prazo antes de rodar; a outra descobriu quatro prazos fora do horizonte na revisão e propôs
   a checagem no `DUVIDAS.md`. Pergunta: o que a entrevista longa comprou, e o que a curta perdeu?
2. **bvga × kvv — o critério de maturidade e o que a contestação faz com a roda.** Uma ficha de
   oito campos e uma tabela de decisões com cinco proposições cortadas; uma lista recusar/aceitar
   e uma seção 7 em prosa que não toca em nenhum `id`. A skill de kvv já foi testada por meap no
   tema 16 — o teste cruzado está pronto para discutir.
3. **meap × bvga — de onde vem o `sinal`.** Uma skill atribui `sinal` e `confiança` pela ordem do
   efeito (forte na primeira, fraco na terceira); a outra, com viés cético pedido, entregou uma
   roda sem nenhum `forte`, porque `sinal` é "quanta evidência existe hoje". Os dois têm red team;
   a comparação isola a calibração.
4. **vafs × alpa2 — o que é "fonte lida".** Uma rodou duas vezes (sem busca: zero fontes; com
   busca: sete links) e mostra no `DUVIDAS.md` um título de artigo quase citado errado de memória;
   a outra lista seis fontes por título e veículo, sem URL. Pergunta: qual dos dois erros a
   checagem de link pega?
5. **mjbo × jgpt — o que a rodada revela que o `SKILL.md` não revela.** Um script de checagem com
   bug que "passou" com cinco seções, pego porque o número impresso não fechava; e a skill mais
   detalhada entre as de chat, sem nenhuma rodada.

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## 3. O que a rodada cruzada mostrou

Os números finais (quantos testaram, quantas skills receberam teste, quais das quatro perguntas
mais receberam "não") são mostrados em aula, direto da página de escolha. Duas perguntas para a
sala: a skill que você testou fez o que o `SKILL.md` dela promete? E o que você mudaria na sua
depois de rodar a de um colega?

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## 4. A skill do professor

Foi construída em 10/09 a partir de uma curadoria de quinze skills e prompts de foresight
publicados e da leitura das nove de vocês. Faz as quatro coisas do enunciado e mais estas, cada
uma vinda de um lugar identificável:

- **Mecanismo obrigatório em cada efeito** ("porque o pai faz X") e regra de parada "sem troca de
  ator ou mecanismo, não é outra ordem" — resposta ao defeito que Glenn nomeia: correlação
  disfarçada de causa.
- **Maturidade por três testes independentes**: prontidão (TRL), posição na adoção (Rogers) e
  rompe-ou-reforça (Christensen, H2− de Sharpe). Só é raiz o que passa nos três.
- **Classe de referência para todo prazo** (Tetlock) e prazo dentro do horizonte nas ordens 1 e 2.
- **Causa solta** (de meap), **quem bloqueia** (de bvga), **cota de dano** (de yrv), **valor
  antes e depois** (de jcsc), **pedir o banal na entrevista** (de kvv), **números impressos, não
  "passou"** (de mjbo).
- **Pré-mortem por efeito** com registro de alterações auditável; um passo de dúvida que não
  altera nada é declarado frouxo e rodado de novo.
- **Modo adversarial:** ela lê só o frontmatter do documento de vocês, produz o mapa dela às
  cegas, e só então compara — para não ancorar no de vocês. O resultado é o material da aula: a
  tabela de sobreposição, o que só um dos dois mapas tem, e cinco perguntas ancoradas em `id`.

O texto completo da skill é mostrado em aula e publicado aqui depois de 15/09.

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## Até 16/09, 23h59

Quem tirou as posições 1 e 2 entrega o documento de tendência (link na página de escolha e no
Classroom). Todos os outros: o prazo de cada um aparece na mesma página, ao lado do nome.
