Futuros · tema 8 · futurizacao-giordano (a do professor, 10/09)
Narrativa gerativa e coautoria
1. Resumo
O custo de produzir uma narrativa caiu; o custo de ser lido, não. É o achado que organiza este mapa, e ele tem número: entre o primeiro trimestre de 2023 e o primeiro de 2026, os títulos de ficção de gênero lançados na Amazon cresceram 38,3 vezes, os que vendem alguma coisa cresceram 19,2 vezes, e a receita cresceu 8,9 vezes — livros com texto substancialmente gerado são 20% do catálogo e 12,1% das vendas. Na Steam, 30,8% dos lançamentos de 2026 declaram IA e essa fatia responde por algo entre 10% e 27% das vendas estimadas; no Next Fest de junho de 2026 a declaração veio sobretudo de arte, com tradução "comum", texto e diálogo "baixo" e geração em tempo real "rara". Por isso este mapa recusa como disrupção-raiz aquilo que o tema oferece de mais vistoso — a frase que vira novela visual jogável: o artefato inteiro gerado é uma melhoria de custo cuja consequência de mercado já foi medida, e é de diluição, não de ruptura. As quatro rupturas que o mapa aponta estão em outro lugar: a tradução vira camada do leitor e a obra perde a língua de origem (um tradutor por sobreposição, no dispositivo, 35 línguas, R$ 15,75 na própria Steam desde 16/07/2026, enquanto o mercado de localização de texto encolheu de US$ 253 mi em 2024 para US$ 246 mi em 2025); a prova de autoria migra do texto para o processo (Art. 50 do AI Act aplicável desde 02/08/2026, marca d'água em todo texto do Claude desde 14/08/2026, atestação por digitação, resíduo de HTML em fanfic, rascunhos com carimbo de tempo no prêmio Commonwealth); o gargalo se inverte e curadoria, não produção, vira o ativo escasso; e a linha de aceitação se desloca de "quem fez" para "o que o leitor toca" — o IFComp 2026 proíbe conteúdo gerado voltado ao jogador e libera a mesma tecnologia no desenvolvimento, enquanto o motor Ren'Py rachou a comunidade por uso de IA na própria engine. O efeito central de 2031 não é a obra deixar de ter autor. É a obra passar a viajar com um dossiê de procedência, e o dossiê virar parte do que se julga.
2. O tema
O que é. "Narrativa gerativa e coautoria" tem dois objetos que costumam ser confundidos. O primeiro é o artefato narrativo gerado: uma frase vira novela visual com elenco, cena, arte e diálogo; um roteiro vira quadrinho animado; um argumento vira conto. O segundo é a coautoria como regime normal de escrita: a pessoa continua sendo o autor, mas parte do texto passou por uma máquina, e ninguém sabe dizer qual parte nem quanto. O primeiro é um objeto de produção; o segundo é um objeto de atribuição. O tema só fica interessante quando se percebe que o segundo não depende do primeiro: mesmo que nenhuma novela visual inteira jamais seja gerada, a pergunta de quem assinou o parágrafo já está posta, e já derrubou contratos de livro em 2026.
Onde encosta em mídia e interação. Em quatro pontos verificáveis hoje, todos com caso nomeado. Primeiro, a regra de admissão: o IFComp escreveu em 2026 uma regra que separa o que o jogador toca do que o autor usa — a primeira formulação normativa que não é "humano contra máquina". Segundo, a ferramenta: o motor em que a forma "novela visual" se apoia há vinte anos virou ele próprio objeto de disputa de autoria, com desenvolvedores voltando para versões anteriores a 2021. Terceiro, a língua: a tradução saiu do processo de produção e entrou no dispositivo do jogador, o que retira do detentor de direito a decisão sobre em que línguas a obra existe. Quarto, a prova: o julgamento sobre autoria deixou de ser feito lendo e passou a ser feito periciando — marca d'água, metadado, rascunho, carimbo de tempo, padrão de digitação.
Por que merece mapa de futuro e não levantamento de estado da arte. Porque o levantamento responderia "que ferramentas geram história" e a resposta seria enganosa por excesso: há centenas, e a mais citada pela turma — o MangoBox — não publica número de usuário, nem preço, nem data de lançamento, nem que modelo usa. O objeto em disputa não é a lista de ferramentas. É o contrato tácito da leitura, que diz que um texto testemunha a própria autoria: que dá para ler e atribuir. Quando esse contrato cai, cai junto tudo o que dependia dele — a submissão às cegas, o pseudônimo, o prêmio, a resenha, o direito autoral, a antologia, a bolsa, a nota da disciplina. A pergunta de futuro não é "a máquina vai escrever bem?". É: quando o texto deixa de provar quem o escreveu, o que ocupa o lugar da prova — e quem paga por ela?
2.1 Premissas assumidas nesta rodada
Esta rodada correu em modo não interativo, a partir de um bloco briefing: completo. Não houve rebaixamento de confiança por ausência de entrevista, porque o briefing cobriu os sete itens da §0 da skill. O que ele não cobriu está declarado na seção 12.2. O que vale adiantar:
- Horizonte 2031, cinco anos. Efeitos de 3ª ordem podem passar disso; quando passam, a prosa diz e o verificador lista.
- Público: quem projeta mídia e interação. Isso muda o que conta como efeito relevante — uma mudança no ofício de escrever pesa mais que uma mudança na cotação de uma empresa de IA.
- Recorte global, com nota sobre o Brasil na seção 3.6.
- Descartado de início: o que já é comum em produto de massa. É a régua da disciplina e é o que faz a seção 4.0 existir — e ela ficou grande nesta rodada, porque neste tema quase tudo o que chama atenção já é comum.
- Viés neutro, com um cenário de cada lado na seção 9.
- Disrupção suspeita: nenhuma. O briefing pediu para descobrir. A consequência é que a recusa da geração do artefato inteiro como raiz (seção 4.0) é um achado da rodada, não uma premissa — e é o ponto em que este mapa mais provavelmente diverge do mapa de um aluno.
- O que me faria mudar de ideia, conforme o briefing: evidência de que a adoção passou da maioria inicial, ou de que a tecnologia não rompe nada. Nas seções 7 e 10 isso vira critério operacional, não frase.
3. Onde isso está hoje
Âncora feita com acesso à web em 11/09/2026. Vinte e cinco fontes abertas e lidas; as buscas que não deram em nada estão na seção 12.1, e as páginas que não abriram, com o código de erro, na 12.4. Sem rebaixamento por ausência de busca.
3.1 O que já existe e funciona
A geração do artefato narrativo inteiro existe e é usada — mas por quem cria, não por quem lê. O MangoBox recebe uma frase e devolve uma novela visual jogável com até cinco personagens, arte e conversas, no navegador, sem Ren'Py. Está no ar, tem página no itch.io e comunidade no Discord. O que ele não tem, e eu procurei: número de usuários, número de histórias, preço, data de lançamento, modelo usado. A página "about" não diz nenhuma dessas coisas. O emblema do tema é, em termos de evidência pública, quase opaco.
A narrativa gerada em tempo de execução chegou ao mercado e vendeu — em dois lugares do mundo. Whispers from the Star, do estúdio Anuttacon, saiu para Windows em 14/08/2025: o jogador conversa por voz, vídeo ou texto com Stella, e não há árvore de diálogo — a fala é gerada na hora por um modelo ajustado. No mesmo eixo, a NetEase lançou em 03/04/2026 o modo Dreamweaver dentro de Justice Mobile, em que o jogador conduz a história por comando de texto ou voz e a cena é gerada em tempo real; o levantamento que consultei registra que ele liderou as paradas de popularidade móveis no lançamento. Outros números do mesmo levantamento, para calibrar a escala do que é "IA em jogo" quando dá certo: Death by AI, 20 milhões de jogadores em três meses, pico de 700 mil ativos diários; Peacekeeper Elite, 17,7 milhões de ativos diários no companheiro de IA.
A tradução em sobreposição virou produto de prateleira. O LunaTranslator — o sinal que a turma trouxe — é software livre que extrai o texto do jogo por gancho de memória ou OCR e devolve tradução sobreposta. O que mudou em 2026 é que essa função deixou a periferia: o Game Overlay Translator está à venda na própria Steam desde 16/07/2026, por R$ 15,75, do R.U Studio, com OCR e tradução neural no dispositivo, sem nuvem e sem internet, 35 línguas de destino e 22 de interface. Não é um projeto de GitHub: é um aplicativo pago, com análises, na mesma loja onde o jogo original é vendido.
A declaração de procedência virou infraestrutura, com data e com lei. O Art. 50 do AI Act europeu é aplicável desde 02/08/2026 e exige que a saída de sistema generativo seja "marcada em formato legível por máquina e detectável como artificialmente gerada ou manipulada"; sistemas já no mercado antes dessa data têm até 02/12/2026 pela prorrogação do Omnibus de maio de 2026. Do lado do provedor, a Anthropic passou a embutir marca d'água em todo texto gerado pelo Claude a partir de 14/08/2026, e credenciais C2PA nos arquivos .png, .jpg e .svg. A técnica é escolher, entre palavras igualmente válidas, de um jeito que deixa padrão. Do lado das lojas, a Steam exige declaração desde o início de 2024 e o itch.io exige a etiqueta AI Generated — com a ressalva, na própria documentação da loja, de que quem declara é o criador e a plataforma não confere.
A perícia de autoria virou prática — amadora antes de institucional. Em junho de 2026 um grupo anônimo distribuiu um PDF de 25 páginas nomeando cerca de trinta autoras do Archive of Our Own por um resíduo de HTML: a classe CSS font-claude-response-body, que sobrevive à colagem em algumas plataformas. A denúncia veio com uma ferramenta de verificação caseira — uma folha de estilo que pinta a página de vermelho quando a etiqueta aparece. Do lado formal, o PAN 2026 organiza cinco tarefas compartilhadas sobre o mesmo problema, e duas delas são novas neste ano: detecção de plágio generativo e detecção de trajetória de raciocínio. E do lado comercial já há ferramentas que atestam o processo em vez do texto: o Writermark observa o ritmo da digitação e emite certificado criptográfico; o TypeOS guarda o histórico datado do documento e exporta um certificado de procedência.
A regra de comunidade foi escrita, e ela não separa humano de máquina. O IFComp 2026 — 32ª edição — introduziu uma regra de IA generativa que diz duas coisas ao mesmo tempo: todo o conteúdo voltado ao jogador deve ser criado por humanos, incluindo capa, prosa e todos os ativos, e as obras não podem exigir que jurados ou jogadores interajam com serviço generativo externo durante o jogo; ao mesmo tempo, o autor pode usar ferramentas generativas no desenvolvimento — edição, depuração, acessibilidade, pesquisa, tradução limitada, código. A justificativa registrada é a pesquisa pós-competição de 2025. A Choice of Games e a Hosted Games recusam prosa e arte geradas — e o motivo declarado é jurídico antes de estético: "incerteza legal em torno do direito autoral de conteúdo gerado por IA", com a exigência de que toda submissão seja criada por quem tem direito legal de publicá-la.
3.2 O que existe e ainda não funciona
A coerência longa. É o limite técnico mais bem medido do tema, e ele não cedeu com escala. O ConStory-Bench (Li, Guo, Wu, Lee, Li e Xie, 06/03/2026) tem 2.000 prompts em quatro cenários e uma taxonomia de cinco categorias de erro com 19 subtipos; a conclusão é que os erros de consistência se concentram nas dimensões factual e temporal, aparecem no meio da narrativa, e ocorrem em trechos de entropia mais alta. O WSE-Bench (Chen, Li, Cai, Li, Yan e Li, 16/08/2026) mede três coisas separadas em 20 passos narrativos, sobre 12 arquiteturas: Cobertura de Geração, Consistência e Riqueza. O resultado que mais importa para este mapa: dentro dos checkpoints densos do Qwen2.5, a Cobertura sobe cerca de 19,32 pontos percentuais por duplicação de parâmetros, mas Consistência e Riqueza não melhoram de forma monotônica confiável. Traduzindo: modelo maior escreve por mais tempo sem parar; não escreve melhor sem se contradizer. E as duas não trocam suavemente uma pela outra — a fronteira de Pareto empírica é não-côncava. O NARRA-Gym (Huang e outros dezessete autores, 08/05/2026) avalia nove modelos de fronteira sobre oito personas, e o que ele acrescenta é a medida de personalização empática e de síntese de artefato ancorado na história — exatamente o que a promessa de "história que se adapta a cada leitor" exigiria.
A história que se adapta a cada leitor. Procurei produto lançado, duas vezes, com termos diferentes, e não achei. O que voltou foi material de venda: histórias que se adaptam ao humor detectado por relógio inteligente, livros infantis com o nome da criança, listas de "melhores jogos de história com IA". O único material com método é acadêmico (o PREFINE, sobre geração personalizada por críticos simulados). Registro isto como busca negativa, não como sinal: em 11/09/2026, a adaptação por leitor é promessa de catálogo, não prática instalada.
A geração do vídeo a partir do roteiro — e aqui a capacidade recuou. Em 24/03/2026 a OpenAI notificou os desenvolvedores da depreciação da Videos API e de todos os apelidos do Sora 2; a tabela de depreciações lista sora-2, sora-2-pro e os instantâneos datados, com remoção em 24/09/2026 e — o detalhe que importa — nenhuma substituição recomendada. Este é o único ponto do mapa em que uma capacidade largamente disponível foi retirada de circulação, e ele desmente a suposição, comum em mapas de futuro, de que capacidade só acumula.
A detecção como prova. A própria Anthropic declara os limites da marca d'água que acabou de embarcar: ela não distingue "o Claude escreveu" de "o Claude editou"; é ineficaz em amostra pequena ou em passagem factual com poucas escolhas; some com reescrita completa; e não identifica outro sistema. O detector existe em pré-visualização privada para reguladores, pesquisadores e imprensa — não para quem julga um concurso literário.
3.3 O que já produziu consequência fora da tela
Três episódios de 2026, todos com data, e nenhum deles sobre qualidade literária:
- Prêmio Commonwealth de Conto, 2026. Em 18/05/2026 uma acusação pública apontou que o conto vencedor da região caribenha, The Serpent in the Grove, de Jamir Nazir, era gerado; o detector comercial Pangram marcou 100%, e outros dois vencedores regionais foram apontados (Malta, 100%; Índia, 89%). Em 22/06/2026 a Commonwealth Foundation publicou a decisão: examinou rascunhos, documentos com carimbo de tempo e anotações de todos os vencedores regionais, e concluiu que "IA não foi usada para escrever as histórias vencedoras". Nenhum prêmio foi retirado; o vencedor geral foi anunciado em 30/06/2026 como previsto. E a Fundação anunciou que iniciou conversas sobre "o uso apropriado de verificadores de IA no contexto de prêmios literários" — ela não usava nenhum, por preocupação com propriedade artística e consentimento sobre obra inédita.
- Um livro cancelado por rumor. Shy Girl, de Mia Ballard, foi autopublicado em fevereiro de 2025, comprado pela Hachette, lançado no Reino Unido em novembro de 2025. Em janeiro de 2026 um vídeo de quase três horas passou de um milhão de visualizações acusando o livro de ser gerado; em março de 2026 a Hachette cancelou a edição americana e descontinuou a britânica. Ballard nega ter usado IA e atribui as alterações a uma revisora freelancer.
- Um manuscrito retirado de venda. Agências literárias retiraram do mercado o romance policial do nigeriano Jerry Falade alegando incerteza sobre autoria. Ele nega, e — como Ballard — aponta que autores negros carregam desconfiança desproporcional.
A consequência prática destes três episódios juntos não é "a IA escreveu": em nenhum deles ficou demonstrado que escreveu. É que a suspeita passou a ter efeito econômico próprio, independente da verdade do fato. E o custo dela não é distribuído por igual.
3.4 Quem constrói
Seis atores, de naturezas diferentes, e a diferença importa:
- Ferramentas de geração de artefato narrativo — MangoBox e a longa cauda de geradores de novela visual e conto; sem números públicos, sem consolidação visível.
- Estúdios que embarcam narrativa gerada em runtime — Anuttacon (Whispers from the Star) e NetEase (Justice Dreamweaver); é onde há dinheiro e escala, e as duas estão fora do eixo ocidental.
- A infraestrutura incumbente da forma — Ren'Py, Twine (2.12.0, 10/04/2026), Inform, Ink; é ela que está em crise, e não por obsolescência técnica.
- Os provedores de modelo como provedores de procedência — Anthropic com marca d'água e C2PA, sob o Art. 50; papel novo, e não escolhido por eles.
- A camada de verificação — Pangram do lado da detecção estilística, Writermark e TypeOS do lado da atestação de processo, PAN 2026 do lado acadêmico.
- As instituições de legitimação — IFComp, Commonwealth Foundation, Choice of Games, Hachette, AO3, Steam, itch.io. É aqui que as decisões de 2026 foram tomadas, e é o ator que os mapas de futuro de tecnologia habitualmente esquecem.
3.5 Que número descreve a adoção hoje
Cinco números, cada um com origem:
Livro. Chakrabarty, Liu, Ginsburg e Dhillon (arXiv 2607.20349v2, 26/07/2026) detectaram texto gerado com o Pangram 3.3 no texto integral de 14.419 e-books de ficção de gênero autopublicados na Amazon, com registro diário de vendas de 2023 a junho de 2026. Do 1T2023 ao 1T2026: títulos lançados ×38,3, títulos que vendem ×19,2, receita ×8,9. Livros com mais de 25% de texto detectado como gerado são 20% do catálogo, 12,1% das vendas e 11,3% da receita; livros sem texto gerado detectado são 62,9% dos títulos, 71,7% das vendas e 72,5% da receita. A fatia de vendas dos livros substancialmente gerados foi de quase zero no início de 2023 a cerca de 20% no 2T2026, e eles ocupavam 23,3% das posições de Top-25 construídas. O efeito de diluição é o achado mais duro: a fatia de Top-25 dos livros sem IA cai de 87,8% no décimo de menor exposição para 62,8% no de maior; nos gêneros dominados por Kindle Unlimited, a dianteira encolhe 8,5 pontos em vendas. E a receita por livro que vende caiu na maioria dos gêneros.
Jogo. Censo de Sulka Haro sobre 53.597 lançamentos da Steam de meados de 2023 a meados de 2026: declaração de IA em 10,9% dos lançamentos de 2024, 19,9% em 2025 e 30,8% em 2026 até julho. Os lançamentos declarados passaram de 13 por mês para cerca de 530, e respondem por 60% a 90% de todo o crescimento do volume mensal da loja. Mas a fatia de vendas estimadas é de 10% a 27%, contra 3% a 6% em 2024 — e o topo continua onde estava: 1% dos títulos captura cerca de 94% da receita estimada.
Onde a IA entra no jogo. O relatório do Steam Next Fest de junho de 2026 (Llama & Griffin, sobre a base da GameDiscoverCo) mede 26,5% de declaração em 4.382 demos registradas — contra 21,2% em fevereiro de 2026 pela mesma metodologia. A repartição por uso é o número que mais muda este mapa: ativos visuais ~60%; áudio, menos; tradução e localização, comum; escrita e diálogo, baixo; conteúdo gerado em tempo real, raro; código deixou de exigir declaração numa revisão de política de janeiro de 2026. E os títulos declarados aparecem no top 100 a cerca de metade da sua representação no campo.
Localização. O mercado de localização de texto de jogos foi de US$ 253 milhões em 2024 para US$ 246 milhões em 2025 — pico em 2024 e contração, porque a erosão de preço por IA corre mais rápido que o crescimento do volume de conteúdo. Concentração alta: três empresas com ~60%, dez com ~77%, a Keywords Studios com 40,5%.
Áudio. Uma busca por "virtual voice" no Audible devolve mais de 50 mil títulos com narração sintética, a partir de um serviço aberto às editoras em maio de 2025, com mais de 100 vozes em inglês, espanhol, francês e italiano. É a referência mais próxima que temos de quanto tempo um catálogo leva para inundar quando uma plataforma abre a torneira: cerca de um ano para dezenas de milhares.
3.6 A nota sobre o Brasil
Três coisas, e as três importam para o mapa.
O jogador brasileiro não rejeita, mas cobra. A Pesquisa Game Brasil 2026 (SX Group e Go Gamers, com Blend New Research e ESPM; 7.115 respondentes de 16 a 55 anos, coleta de 5 a 13/03/2026, divulgação em 09/04/2026) registra 45,7% preocupados com a deterioração do processo criativo pelo crescimento da IA e 39,3% que ainda comprariam um jogo feito com apoio substancial dela — com outra fatia respondendo "talvez". Não é rejeição; é condicionamento à transparência. O que a pesquisa não separa é arte, dublagem e texto — e o relatório da Steam mostra que essa separação é justamente onde está a diferença.
A resposta institucional brasileira à IA na narrativa começou pela voz, e começou por proibição. Em 29/08/2024, em reunião conjunta das comissões de Cultura e de Trabalho da Câmara, o segmento de dublagem pediu proteção legal contra voz gerada, com dois projetos na mesa: o PL 1376/22, que exige que dublagem e legendagem comerciais no Brasil sejam feitas por empresas e profissionais sediados no país, e o PL 2338/23, que prevê remuneração de direito autoral quando a obra é usada para treinar modelo. Projetos posteriores endureceram: há proposta de proibir IA na dublagem de obra audiovisual, com multa diária de até R$ 50 mil e suspensão de atividade por até 90 dias. O Brasil está legislando sobre a voz antes de legislar sobre o texto — e a tradução por sobreposição, que é a frente que de fato avançou, escapa dos dois por rodar no dispositivo do jogador, depois da publicação.
O produto que materializa a raiz 1 já está precificado em real. O Game Overlay Translator custa R$ 15,75 na Steam brasileira, roda offline, e serve exatamente ao caso de quem quer jogar uma novela visual japonesa em português sem esperar que alguém a localize. Para um mercado grande, de língua não hegemônica, historicamente mal servido de localização e com uma cena de tradução amadora forte, este é o ponto do mapa em que o Brasil não é seguidor: é caso de uso central.
4. As disrupções-raiz
4.0 Candidatos recusados como raiz
A régua da disciplina é literal: se dá para fazer com o que já é comum em produto de massa, é maduro. Nesta rodada a régua derrubou cinco candidatos, e o primeiro deles é o candidato óbvio do tema. Registro cada recusa com o teste que falhou, porque a recusa é o principal ponto em que este mapa deve divergir de outros.
Candidato 1 — "Uma frase vira uma novela visual jogável". Recusado como raiz. Falha no teste 1 do §2: o que ela rompe? A resposta honesta é "faz o mesmo artefato, muito mais barato e sem exigir o ofício". Isso é melhoria de custo com rebaixamento de barreira — importante, mas sustentadora no sentido de Christensen, e a evidência de consequência já existe e já foi medida. Ela não é de ruptura: é de diluição. Do lado do livro, o catálogo cresceu 38,3 vezes e a receita 8,9; do lado do jogo, 30,8% dos lançamentos e 10% a 27% das vendas, com metade da presença esperada no top 100. Um artefato que qualquer um produz em minutos e que quase ninguém consome não rompe uma prática — ele satura um canal. Entra neste mapa como efeito de 1ª ordem da raiz 3 (e8, e9, e11), que é o lugar certo dele. Em difusão: produto de nicho a caminho de adoção precoce na produção, e sem sinal de adoção no consumo — e essa assimetria é o fato.
Candidato 2 — "Conversar com um personagem para fazer história". Recusado por maturidade. O AI Dungeon é de 2019; o Character.AI e o NovelAI operam há cinco anos com assinatura e público de massa; o roleplay narrativo por chat é produto comum. Falha no teste 3: está em maioria dentro do seu nicho, e a lista do teste 4 — o que ainda falta acontecer — é vazia. Fica como contexto da seção 3. O que mudou nesse campo em 2025-2026 não foi capacidade e sim regulação de acesso: o Character.AI barrou menores depois de um processo, o que é um efeito de política sobre companhia artificial e pertence ao tema 7, não a este.
Candidato 3 — "Roteiro vira vídeo". Recusado por fronteira e por recuo. Duas razões independentes. A fronteira: a disciplina atribui a geração de vídeo como mídia ao tema 12, e aqui o objeto é a história como coisa gerada, não a imagem em movimento. E o recuo: a OpenAI removeu a Videos API e todos os apelidos do Sora 2 em 24/09/2026, anunciado em 24/03/2026, sem substituto recomendado. Um candidato a raiz cuja principal implementação de consumo foi desligada no ano do mapa não é raiz; é advertência, e vira o wildcard 2 da seção 6.
Candidato 4 — "Coescrever com a máquina como modo normal de redigir". Recusado por maturidade. Autocompletar, reescrever, resumir e sugerir estão dentro do Word, do Google Docs e de todo editor comercial. Está em maioria. A parte não madura disso não é o ato de coescrever: é o que acontece quando alguém precisa provar que não coescreveu, ou que coescreveu dentro de um limite aceito. Essa parte é a raiz 2, e é nela que a coautoria aparece neste mapa.
Candidato 5 — "A história se adapta a cada leitor, e a obra deixa de ser uma só". Recusado por falta de evidência, não por implausibilidade. É a segunda pergunta de 2ª ordem que a disciplina propõe, e eu não encontrei nenhum produto lançado que a sustente — só material de venda. O NARRA-Gym mede personalização empática em nove modelos, o que significa que o campo acadêmico ainda está construindo a métrica. Um candidato que só tem métrica em construção e nenhuma instalação é especulativo, e o §2 manda que entre com confiança baixa em toda a cadeia. Em vez de virar raiz com cadeia inteira rebaixada, entra como sinal fraco 5 da seção 6, com o sinal observável que indicaria que está crescendo.
4.1 Raiz 1 — A tradução deixa de ser etapa da obra e vira camada do leitor
O que rompe. Rompe a suposição de que uma obra tem uma língua de origem e que alcançar outra língua é uma decisão de produção, tomada por quem detém o direito, paga por quem publica, e visível como uma versão. Quando a tradução acontece no dispositivo do leitor, em tempo real, sobreposta ao original, o detentor de direito sai do circuito: não licenciou, não revisou, não faturou e não soube. O que se rompe não é o ofício do tradutor — é o controle sobre a existência da obra em cada língua, e com ele três coisas que dele dependiam: a versão oficial como objeto único, a janela de lançamento por território, e a cadeia de responsabilidade sobre o que a obra diz naquela língua (classificação indicativa, adaptação cultural, censura local).
Por que agora, e não há cinco anos. Porque a pilha inteira coube no dispositivo e no preço de um lanche. OCR e tradução neural rodando localmente, offline, em 35 línguas, num aplicativo de R$ 15,75 vendido na mesma loja do jogo — isso não existia em 2021, quando a mesma função exigia chamada de nuvem, custo por caractere e conexão. A pré-condição não foi qualidade de tradução: foi custo marginal zero por execução no cliente.
Onde está na difusão. Entre produto de nicho e adoção precoce. O sinal institucional é o relatório do Next Fest de junho de 2026, que classifica tradução e localização como uso comum de IA declarada — mais comum que escrita e diálogo. O sinal de mercado é a contração da localização de texto, de US$ 253 mi (2024) para US$ 246 mi (2025), com a causa declarada sendo erosão de preço.
O que ainda falta acontecer. Integração no nível da plataforma ou do console, e não como aplicativo de terceiro. Uma decisão jurídica sobre se a sobreposição feita no cliente é obra derivada. Qualidade aceitável em texto culturalmente carregado — trocadilho, registro, dialeto —, que é justamente o que a novela visual usa. E uma resposta ao problema de o texto estar dentro da imagem, que hoje obriga o OCR e limita tudo.
Quem bloqueia, e com que incentivo. Três atores. Detentores de direito, que perdem o licenciamento por território e têm incentivo para tratar a sobreposição como derivada não autorizada e pedir bloqueio às lojas (e1.3). O segmento de dublagem e legendagem, que no Brasil já pede proibição com multa (e3). E as plataformas, que podem tanto absorver a função quanto expulsá-la — e cuja decisão determina se e3.2 acontece.
4.2 Raiz 2 — A prova de autoria migra do texto para o processo
O que rompe. Rompe o contrato mais antigo da leitura: o de que o texto testemunha a própria autoria. Durante séculos, atribuir foi uma operação interna ao texto — estilo, vocabulário, erro característico, hábito de pontuação —, e todas as instituições que julgam escrita foram construídas em cima disso. Quando o texto deixa de testemunhar, a prova sai de dentro dele e vai para fora: marca d'água no fluxo de saída do modelo, metadado C2PA no arquivo, resíduo de HTML na colagem, carimbo de tempo no rascunho, ritmo de digitação no teclado. Isso rompe, em ordem de gravidade: a submissão às cegas (o rastro identifica a máquina e o hábito), o pseudônimo, o direito de escrever sem ser observado, e a autoridade de quem lê para julgar lendo.
Por que agora, e não há cinco anos. Porque em agosto de 2026 três coisas coincidiram. A lei passou a exigir marcação legível por máquina (Art. 50(2), aplicável desde 02/08/2026). Um provedor grande embarcou a marcação por padrão, no mundo todo (Claude, 14/08/2026). E a Suprema Corte americana negou certiorari em 02/03/2026, deixando de pé a exigência de autoria humana — o que transforma a procedência de questão reputacional em questão patrimonial: sem controle criativo humano demonstrável, não há registro, e sem registro não há o que vender. Nenhuma dessas três existia em 2021.
Onde está na difusão. Entre demo pública e produto de nicho — com uma função de forçamento regulatório, que é rara e que acelera. As ferramentas de atestação de processo (Writermark, TypeOS) são pequenas e recentes; a marca d'água é grande e obrigatória; a perícia amadora (o PDF do AO3) é onde a prática está mais viva, e é a menos confiável.
O que ainda falta acontecer. Um detector acessível a quem julga, e não só a regulador, pesquisador e imprensa. Interoperabilidade entre provedores — hoje a marca do Claude não diz nada sobre outro sistema. Um padrão de prova: quanto de resíduo basta, quem tem o ônus, o que vale como defesa. E, principalmente, um remédio para a acusação falsa, que em 2026 já produziu dois contratos desfeitos sem que a acusação tenha sido demonstrada.
Quem bloqueia, e com que incentivo. Os próprios provedores de modelo: a Anthropic declara os limites da própria marca e mantém o detector em pré-visualização privada — expor um detector público é criar um alvo de evasão e uma responsabilidade. E os acusados, com um instrumento novo e eficaz: o caso Ballard e o caso Falade estabeleceram que acusar publicamente sem prova tem custo reputacional para quem acusa, especialmente quando o padrão de suspeita recai desigualmente sobre autores negros (e5.2).
4.3 Raiz 3 — O gargalo se inverte: produzir é barato, ser lido é o ativo escasso
O que rompe. Rompe a economia sobre a qual toda a cadeia de narrativa está montada: a de que a obra é o bem escasso e a atenção é abundante. Ela era verdadeira porque escrever, ilustrar e programar custavam tempo humano. Quando o custo de produzir cai a quase nada e o de ser lido não cai, o escasso muda de lado, e com ele muda o que é um ativo: deixa de ser o catálogo e passa a ser a capacidade de pôr uma obra diante de alguém. O que se rompe, em concreto: "escrever mais" como estratégia de carreira; a curadoria algorítmica da loja como filtro suficiente; a ideia de que uma obra a mais é, por definição, um ganho para quem a fez.
Por que agora, e não há cinco anos. Porque o volume absoluto ultrapassou qualquer capacidade de triagem, e isso é datável. Cerca de 530 lançamentos declarados por mês na Steam; mais de 300 mil e-books despejados no mercado pouco antes de janeiro de 2026; mais de 50 mil títulos de narração sintética no Audible em cerca de um ano. E, sobretudo, porque a diluição foi medida: a queda da fatia de Top-25 dos livros sem IA de 87,8% para 62,8% conforme sobe a exposição do gênero é um efeito sobre quem não usou a tecnologia. Esse número não existia antes de julho de 2026.
Onde está na difusão. Aqui é preciso separar dois relógios, e a separação é o que impede que esta raiz seja recusada por maturidade. O despejo já é adoção precoce alta, quase maioria, na produção. A reorganização institucional que ele força — quem filtra, quem paga pelo filtro, o que substitui a loja como porta — está em produto de nicho. A raiz não é a inundação; é a inversão do que é escasso, e as consequências dela mal começaram.
O que ainda falta acontecer. Um mecanismo de triagem que escale com o volume e que alguém pague. Uma forma de remunerar curadoria que não seja publicidade. E a resposta à pergunta que nenhum ator formulou ainda: se a maior parte do que se gera não é para ser publicado, o que é uma loja?
Quem bloqueia, e com que incentivo. A própria saturação, pelo lado da demanda — e há uma frase do fórum de ficção interativa que a resume melhor que qualquer dado: "as pessoas gostam muito mais de gerar jogos com LLM do que de jogar jogos gerados por LLM". O Spring Thing mudou de política porque os resenhistas ameaçaram parar de participar. O freio desta raiz não é regulatório: é a recusa de quem julga a trabalhar de graça na triagem (e11).
4.4 Raiz 4 — A linha de aceitação se desloca de "quem fez" para "o que o leitor toca"
O que rompe. Rompe a taxonomia binária sobre a qual toda a infraestrutura de declaração foi construída. A Steam pergunta se o jogo usou IA. O itch.io pede a etiqueta AI Generated. O Art. 50 manda marcar a saída como gerada. As três presumem que o mundo se divide em obra feita por humano e obra feita por máquina. A regra do IFComp 2026 diz outra coisa: todo o conteúdo voltado ao jogador deve ser criado por humanos e o autor pode usar as mesmas ferramentas para editar, depurar, pesquisar, traduzir e programar. A linha não passa entre humano e máquina; passa entre o que o leitor toca e o que o autor usa. Se essa é a linha que as comunidades de fato regulam, então a bandeira binária mede a coisa errada — e um jogo que passou uma textura por um ampliador carrega a mesma marca de um jogo com o texto inteiro gerado.
Por que agora, e não há cinco anos. Porque a regra foi escrita, com essas palavras, em 2026, depois de uma pesquisa com a própria comunidade — e porque a mesma comunidade descobriu, no mesmo ano, que a linha vaza para trás. Em março de 2026 o mantenedor do Ren'Py, que sustenta o motor desde 2004, informou aos apoiadores que usa modelos de linguagem e agentes de código no desenvolvimento da engine, distinguindo isso explicitamente de programar sem entender; em junho ele repetiu em rede pública e veio a reação. O ponto que interessa não é quem tem razão: é que a suspeita subiu a cadeia de produção, do artefato para a ferramenta. Desenvolvedores relatam sentir-se presos, porque não há equivalente do Ren'Py, e alguns voltaram a versões anteriores a 2021 do motor. Isso não era possível há cinco anos porque a IA ainda não tinha entrado nas ferramentas que as pessoas usam para fazer o que não é IA.
Onde está na difusão. Produto de nicho, com sinal forte: a regra existe, está escrita, é aplicada em uma competição na 32ª edição, e tem um precedente comercial independente — a Choice of Games recusa prosa gerada por motivo jurídico, não estético, o que significa que a recusa sobrevive mesmo se a qualidade empatar.
O que ainda falta acontecer. Que alguma loja passe a declarar por superfície — arte, texto, voz, tradução, geração em tempo real — em vez de sim/não. Que exista modo de verificar a linha, e não só de declará-la. E que se resolva o que fazer com a obra cuja ferramenta foi contaminada depois de a obra estar pronta.
Quem bloqueia, e com que incentivo. Os autores presos ao ecossistema, cujo custo de migração é maior que a discordância (e13); e o incentivo estrutural a não declarar, já que a declaração binária pune quem obedece sem distinguir o que ele fez (e14). Esta é a raiz com o freio mais forte embutido nela mesma.
5. A roda dos futuros
roda:
- disrupcao: A tradução deixa de ser etapa da obra e vira camada do leitor
efeitos:
- id: e1
ordem: 1
efeito: Estúdios deixam de decidir em quantas línguas a obra existe, porque o leitor resolve isso do lado dele
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e1.1
ordem: 2
efeito: A localização para de vender palavra traduzida e passa a vender garantia de que a tradução não quebra a obra
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e1.1.1
ordem: 3
efeito: Contratos de publicação passam a nomear um responsável editorial por língua, porque é isso que a lei europeia isenta
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e1.2
ordem: 2
efeito: Comunidades de tradução amadora perdem a função e a autoridade, porque a espera que elas preenchiam deixou de existir
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e1.2.1
ordem: 3
efeito: O prestígio da cena de tradução migra para a anotação cultural, de quem explica a piada e não de quem traduz a frase
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e1.3
ordem: 2
efeito: Detentores de direito passam a tratar a sobreposição de tradução como obra derivada não autorizada e pedem bloqueio às lojas
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e2
ordem: 1
efeito: Obras em línguas pequenas passam a ser jogadas fora do seu mercado sem nunca terem sido licenciadas para lá
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e2.1
ordem: 2
efeito: O valor de um catálogo para de depender da língua em que ele está e passa a depender de o leitor conseguir alcançá-lo
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e2.2
ordem: 2
efeito: Estúdios de novela visual passam a manter o texto fora da imagem por decisão de engenharia, para que a sobreposição funcione
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
efeitos:
- id: e2.2.1
ordem: 3
efeito: A tipografia sai da arte e volta a ser camada, e a gramática visual da novela visual muda junto
sinal: fraco
prazo: 2032
confianca: baixa
- id: e3
ordem: 1
efeito: O ofício de dublagem no Brasil é regulado por proibição antes de ser reorganizado por contrato
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e3.1
ordem: 2
efeito: Plataformas passam a manter duas linhas de produção por país, uma com voz humana obrigatória e outra sem, e a obra pequena paga a fragmentação
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e3.2
ordem: 2
efeito: A proibição empurra a tradução por máquina para a camada do cliente, onde a lei não alcança, em vez de eliminá-la
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: media
efeitos:
- id: e3.2.1
ordem: 3
efeito: A fiscalização migra de quem publica a obra para quem distribui o aplicativo, e a loja vira o ponto de regulação da tradução
sinal: fraco
prazo: 2032
confianca: baixa
- disrupcao: A prova de autoria migra do texto para o processo
efeitos:
- id: e4
ordem: 1
efeito: Prêmios e concursos passam a pedir o rastro da escrita — rascunho, carimbo de tempo, certificado de digitação — como parte da inscrição
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e4.1
ordem: 2
efeito: A submissão às cegas deixa de ser possível na forma antiga, porque o rastro do processo identifica a máquina e o hábito de quem escreveu
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
efeitos:
- id: e4.1.1
ordem: 3
efeito: Concursos que usavam o anonimato para corrigir viés perdem esse instrumento e precisam inventar outro
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e4.2
ordem: 2
efeito: Escrever num editor que não atesta processo vira desvantagem competitiva, e a escolha da ferramenta deixa de ser preferência pessoal
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e4.3
ordem: 2
efeito: O custo da suspeita recai desigualmente, e quem já era lido com desconfiança paga mais pela acusação do que pela prova
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e4.3.1
ordem: 3
efeito: Editoras passam a exigir cláusula de indenização contra acusação de autoria por máquina, e o preço dessa cláusula vira o preço da reputação
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e5
ordem: 1
efeito: A acusação de autoria por máquina vira prática amadora distribuída, com ferramenta caseira e alvo público, antes de existir padrão de prova
sinal: forte
prazo: 2027
confianca: alta
efeitos:
- id: e5.1
ordem: 2
efeito: Plataformas de obra amadora passam a limpar metadados na publicação, e a limpeza vira indistinguível de encobrimento
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e5.1.1
ordem: 3
efeito: O que sobra como sinal é o comportamento do autor ao longo do tempo, e a reputação vira série temporal em vez de obra
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e5.2
ordem: 2
efeito: Erros públicos de acusação tornam o acusador responsável, e o custo de acusar sobe o bastante para frear a perícia amadora
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
- id: e6
ordem: 1
efeito: O que decide se uma obra é comercializável deixa de ser a qualidade e passa a ser a registrabilidade, isto é, quanto de controle humano dá para demonstrar
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e6.1
ordem: 2
efeito: Editoras de ficção interativa mantêm a recusa a prosa gerada por razão jurídica e não estética, e a recusa sobrevive mesmo se a qualidade empatar
sinal: forte
prazo: 2028
confianca: alta
efeitos:
- id: e6.1.1
ordem: 3
efeito: O prompt vira documento contratual arquivado, porque é onde mora a prova de escolha expressiva humana
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e6.2
ordem: 2
efeito: Surge um mercado de auditoria de autoria vendido a quem publica, e não a quem escreve
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e7
ordem: 1
efeito: A marca d'água prova que a máquina passou pelo texto mas não prova quem o escreveu, e a infraestrutura entrega menos do que a instituição precisa
sinal: medio
prazo: 2027
confianca: media
efeitos:
- id: e7.1
ordem: 2
efeito: O detector fica com quem regula e pesquisa e não com quem julga um concurso, e a assimetria de acesso vira assimetria de poder editorial
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
- id: e7.2
ordem: 2
efeito: Autores passam a reescrever à mão a saída da máquina não para melhorá-la mas para apagar a marca, e o trabalho humano vira lavagem
sinal: fraco
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e7.2.1
ordem: 3
efeito: Revisão humana deixa de ser garantia de qualidade e vira procedimento de conformidade, medido em cobertura e não em julgamento
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- disrupcao: O gargalo se inverte — produzir é barato, ser lido é o ativo escasso
efeitos:
- id: e8
ordem: 1
efeito: Escrever mais deixa de ser estratégia de carreira, porque o título marginal canibaliza a atenção do próprio autor
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e8.1
ordem: 2
efeito: O catálogo antigo passa a valer mais que o lançamento, e cuidar do próprio acervo vira trabalho do autor
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e8.2
ordem: 2
efeito: Quem já publicava em volume aumenta a produção e concentra o topo, porque a diluição pune a média e premia quem já tinha alcance
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e8.2.1
ordem: 3
efeito: A ficção de gênero se parte em cauda infinita sem leitor e um punhado de contas industriais, e desaparece o meio-termo onde se aprendia o ofício
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e9
ordem: 1
efeito: A loja para de conseguir filtrar por qualidade e passa a filtrar por procedência declarada, mesmo sabendo que a declaração binária mede a coisa errada
sinal: forte
prazo: 2027
confianca: alta
efeitos:
- id: e9.1
ordem: 2
efeito: O selo de obra sem máquina vira posicionamento de mercado com preço, e não informação sobre método
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e9.1.1
ordem: 3
efeito: A obra passa a ser vendida com um dossiê de procedência, como alimento com rótulo de origem, e o dossiê vira parte do que se julga
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e9.2
ordem: 2
efeito: A curadoria humana com nome e responsabilidade volta a ser paga, depois de duas décadas sendo substituída por recomendação automática
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e9.2.1
ordem: 3
efeito: Quem indica passa a ser mais conhecido que quem escreve, e o crítico recupera poder econômico que havia perdido para o algoritmo
sinal: fraco
prazo: 2032
confianca: baixa
- id: e10
ordem: 1
efeito: O concurso e o júri voltam a ser infraestrutura econômica e não cerimônia, porque são o único filtro que o volume não afoga
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e10.1
ordem: 2
efeito: Concursos sobem a inscrição e limitam submissões por pessoa, e o filtro vira barreira de entrada paga
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e11
ordem: 1
efeito: A demanda não acompanha a oferta porque o público prefere gerar a jogar o gerado, e a saturação freia a própria produção
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e11.1
ordem: 2
efeito: Ferramentas de geração passam a ser vendidas como brinquedo de autor e não como fábrica de obra, e a receita vem de quem cria e não de quem lê
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e11.1.1
ordem: 3
efeito: O artefato gerado deixa de ser publicado e vira consumo privado, a novela visual de uma pessoa só que ninguém mais joga
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- disrupcao: A linha de aceitação se desloca de quem fez para o que o leitor toca
efeitos:
- id: e12
ordem: 1
efeito: Regras de comunidade passam a proibir conteúdo gerado voltado ao leitor e a permitir a mesma tecnologia no desenvolvimento
sinal: forte
prazo: 2027
confianca: alta
efeitos:
- id: e12.1
ordem: 2
efeito: A declaração binária das lojas para de descrever o que as comunidades de fato regulam, e as duas taxonomias divergem
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e12.1.1
ordem: 3
efeito: Lojas passam a declarar por superfície — arte, texto, voz, tradução, geração em tempo real — em vez de sim ou não
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e12.2
ordem: 2
efeito: A suspeita vaza para trás na cadeia e atinge a ferramenta — motor, editor, biblioteca — e não só a obra
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e12.2.1
ordem: 3
efeito: Projetos de infraestrutura criativa passam a publicar política de uso de máquina junto da licença, e escolher motor vira posição pública
sinal: fraco
prazo: 2030
confianca: baixa
- id: e13
ordem: 1
efeito: Autores ficam presos a ferramentas que já não querem usar, porque o custo de aprendizagem acumulado é maior que a discordância
sinal: medio
prazo: 2027
confianca: media
efeitos:
- id: e13.1
ordem: 2
efeito: Motores alternativos menores ganham atenção por razão política sem ganhar capacidade técnica, e o ecossistema se fragmenta sem se diversificar
sinal: medio
prazo: 2029
confianca: media
efeitos:
- id: e13.1.1
ordem: 3
efeito: A forma novela visual se conserva por inércia de ferramenta, e a invenção de forma acontece fora dela, em objetos que ninguém chama de novela visual
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
- id: e14
ordem: 1
efeito: A coautoria declarada vira desvantagem competitiva, e o incentivo racional passa a ser não declarar
sinal: medio
prazo: 2028
confianca: media
efeitos:
- id: e14.1
ordem: 2
efeito: A disciplina da declaração passa a depender de sanção externa e não de norma comunitária, porque a norma pune quem obedece
sinal: medio
prazo: 2030
confianca: media
efeitos:
- id: e14.1.1
ordem: 3
efeito: A obra passa a ter dois públicos incompatíveis, um que exige declaração e outro que a ignora, e o autor tem de escolher em qual mercado existe
sinal: fraco
prazo: 2031
confianca: baixa
5.1 Os mecanismos, um a um
O bloco acima não diz por quê. Cada efeito abaixo traz o mecanismo na forma exigida: porque o efeito-pai faz alguma coisa acontecer. Onde o mecanismo é fraco, está dito que é fraco.
Raiz 1 — a tradução como camada do leitor.
- e1 — Porque a tradução no cliente é gratuita na margem e invisível ao publicador, a decisão sobre em que línguas a obra existe deixa de ser tomada por quem publica. O estúdio continua podendo localizar; o que ele perde é o poder de não localizar. Teste de especificidade: esta frase não decorre de "tradução automática ficou melhor" — decorre de a execução ser local, offline e paga uma vez pelo leitor.
- e1.1 — Porque a tradução crua passou a ser um bem livre, a única coisa que resta para vender é o que a tradução crua não faz: terminologia consistente ao longo de 80 mil palavras, adequação à classificação indicativa do território, revisão do que não pode ser dito naquele país. O fornecedor deixa de ser pago por palavra e passa a ser pago por assumir a responsabilidade. É a leitura causal da contração de US$ 253 mi para US$ 246 mi: não é menos trabalho, é outro produto.
- e1.1.1 — Porque o Art. 50(4) do AI Act isenta de divulgação o texto gerado que passou por revisão editorial com alguém detendo responsabilidade editorial, a lei criou, sem querer, um cargo. Quem quiser publicar sem carimbo de "gerado" precisa nomear alguém. Mecanismo forte; evidência de adoção, nenhuma — daí
confianca: baixa. - e1.2 — Porque o valor da tradução amadora nunca foi a tradução: era a espera que ela encurtava e o pertencimento que ela organizava. Quando a espera some, some a função. Mecanismo bom; o que enfraquece é que a mesma cena pode migrar (e1.2.1) em vez de desaparecer.
- e1.2.1 — Porque o que a máquina continua não fazendo é explicar por que a piada é engraçada naquela cultura, o capital simbólico da cena se desloca para a anotação. É inferência, sem caso observado:
sinal: fraco. - e1.3 — Porque o detentor de direito perde receita de licenciamento por território sem perceber, ele tem incentivo para reclassificar a sobreposição como derivada não autorizada. É a retroação da raiz 1. O que a segura: a execução é local e não deixa rastro no servidor — a única alavanca é a loja que vende o aplicativo, e ela ganha dinheiro com ele.
- e2 — Porque a barreira que mantinha uma obra dentro do seu mercado era linguística e não jurídica, removê-la faz a obra circular sem licença. Específico: decorre da sobreposição, não de "a internet globaliza".
- e2.1 — Porque a língua deixa de ser o que separa um catálogo do seu leitor, o que passa a separar é o que sobrou: loja, DRM, meio de pagamento, bloqueio regional. Mecanismo por eliminação — mais fraco que os outros, e por isso 2031 e
baixa. - e2.2 — Porque a sobreposição depende de OCR e o OCR falha em texto desenhado dentro da arte, o estúdio que quiser ser alcançável tem incentivo técnico para tirar o texto da imagem. Mecanismo claro, adoção zero observada.
- e2.2.1 — Porque a novela visual usa a tipografia dentro da arte como recurso expressivo, tirar o texto da imagem muda o repertório visual da forma. Efeito de 3ª ordem, fora da janela (2032).
- e3 — Porque a voz é o ponto da cadeia onde há categoria profissional organizada e representação parlamentar, ela é regulada primeiro — não porque é onde a tecnologia avançou mais. Evidência: PL 1376/22, PL 2338/23, e propostas de multa diária de até R$ 50 mil.
- e3.1 — Porque uma proibição nacional obriga quem publica em muitos países a manter linhas distintas, o custo fixo da conformidade recai proporcionalmente mais sobre a obra pequena. Mecanismo de custo fixo, clássico e verificável; sem caso ainda.
- e3.2 — Porque a lei alcança quem publica e a sobreposição acontece depois da publicação, no dispositivo, a proibição não elimina a tradução por máquina: ela a desloca para onde não há quem autuar. É a segunda retroação da raiz 1, e é a que tem mais chance de acontecer.
- e3.2.1 — Porque o único ponto de estrangulamento que resta é a distribuição do aplicativo, a loja herda um papel regulatório que ninguém lhe deu. Fora da janela (2032).
Raiz 2 — a prova migra para o processo.
- e4 — Porque a Commonwealth Foundation resolveu o caso de 2026 examinando rascunhos, documentos com carimbo de tempo e anotações, e anunciou que discutir verificadores virou prioridade imediata, o procedimento de exceção vira requisito de entrada. Não é inferência: é a generalização de um procedimento já executado por uma instituição, em junho de 2026.
- e4.1 — Porque o rastro de processo é, por construção, identificante — máquina, ritmo, horário, sequência de revisão —, ele é incompatível com o anonimato que a submissão às cegas exige. Mecanismo lógico e forte; o que rebaixa a confiança é que há soluções possíveis (atestação por terceiro que só devolve um booleano) que ninguém implementou ainda.
- e4.1.1 — Porque o anonimato na submissão existia para corrigir viés de origem, gênero e nome, perdê-lo devolve o viés que ele suprimia. Conecta diretamente com e4.3.
- e4.2 — Porque quem atesta compete com quem não atesta pelo mesmo lugar na antologia, a ferramenta de escrita deixa de ser questão de conforto. Mecanismo de corrida armamentista; nenhuma instituição exige isso hoje.
- e4.3 — Porque a acusação é barata e a defesa é cara, e porque a suspeição prévia não se distribui por igual, o ônus recai sobre quem já era lido com desconfiança. Dois casos nomeados em 2026, ambos com o mesmo argumento levantado pelos próprios acusados.
sinal: medioporque há caso, mas não há medida. - e4.3.1 — Porque a Hachette cancelou uma edição já publicada por rumor, o risco deixou de ser hipotético para quem assina contrato, e risco precificável vira cláusula. Inferência de mercado, sem instrumento observado:
baixa. - e5 — Porque existe um resíduo verificável sem perícia — uma classe de CSS que sobrevive à colagem — e uma ferramenta de uma linha para vê-lo, a acusação deixou de exigir competência. Três artefatos observáveis hoje: o PDF de 25 páginas nomeando ~30 autoras no AO3, o episódio Commonwealth de maio de 2026, e o vídeo de três horas que derrubou Shy Girl. Daí
sinal: forteeconfianca: alta— este é o único efeito de 1ª ordem do mapa que já aconteceu por inteiro. - e5.1 — Porque o resíduo é um acidente de implementação e não uma decisão, a plataforma pode removê-lo com uma linha de sanitização; e como a remoção protege tanto o inocente quanto o culpado, ela é lida das duas formas. O mecanismo é bom; o que falta é a plataforma agir.
- e5.1.1 — Porque, apagados o resíduo e a marca, nenhum sinal fica no artefato, o que resta é o padrão de publicação ao longo do tempo — cadência, volume, variação de estilo. Inferência pura.
- e5.2 — Porque acusar em público sem prova produziu, em 2026, retratação institucional (Commonwealth) e contestação pública com argumento de viés racial (Ballard, Falade), o acusador passou a ter algo a perder. É a retroação da raiz 2.
- e6 — Porque a Suprema Corte negou certiorari em 02/03/2026 e a exigência de autoria humana ficou de pé, a pergunta comercial deixou de ser "é bom?" e virou "dá para registrar?". É o mecanismo mais econômico do mapa: não depende de gosto, de ética nem de detecção.
- e6.1 — Porque a Choice of Games declara a incerteza jurídica como motivo, e não a qualidade, a política dela não cede quando a qualidade da máquina melhorar.
sinal: forteealta: é política escrita, em vigor, de uma editora comercial em atividade. - e6.1.1 — Porque a prova de controle criativo humano precisa estar em algum lugar, e o lugar onde a escolha expressiva humana ficou registrada é a instrução dada, o prompt migra de rascunho descartável a documento de arquivo. Inferência com mecanismo claro.
- e6.2 — Porque quem carrega o risco jurídico é o publicador e não o autor, o serviço de auditoria se vende a quem tem o risco. Havia aqui um mecanismo mais forte que não sobreviveu à seção 7: as ferramentas que achei (Writermark, TypeOS) vendem ao autor, não ao publicador — o que é evidência contra, não a favor. Rebaixado.
- e7 — Porque a própria Anthropic declara que a marca não distingue "escreveu" de "editou", ela responde uma pergunta que ninguém fez e não responde a que as instituições fazem. O mecanismo é uma lacuna, não um evento, e por isso o prazo é curto: a lacuna já existe.
- e7.1 — Porque o detector está em pré-visualização privada para regulador, pesquisador e imprensa, quem julga um concurso não o tem — e quem o tem passa a poder afirmar o que os outros não conseguem contestar.
- e7.2 — Porque a marca some com reescrita completa, e porque a lei e a loja premiam o texto sem marca, a reescrita passa a ter valor independente da melhoria que traga. É a retroação perversa da raiz 2: o mecanismo de transparência produz trabalho humano cujo produto é opacidade.
- e7.2.1 — Porque o que se mede passa a ser se houve revisão, e não se a revisão foi boa, o conceito de revisão humana se esvazia por dentro. Este é o efeito mais especulativo da raiz 2 e também, se acontecer, o mais grave.
Raiz 3 — o gargalo invertido.
- e8 — Porque a receita por título que vende caiu na maioria dos gêneros enquanto o número de títulos multiplicou por 38,3, o lançamento adicional passou a disputar atenção com o anterior do mesmo autor. Mecanismo de canibalização, ancorado em número medido.
- e8.1 — Porque, se o novo não vende, o que sobra é o que já foi lido, a manutenção do acervo ganha valor relativo. Mecanismo por eliminação, sem evidência direta: rebaixado a
baixa. - e8.2 — Porque a diluição é proporcional à exposição do gênero e não ao mérito do título, ela penaliza mais quem estava no meio da distribuição. Evidência: 74,5% dos 385 autores que publicaram mais de um título substancialmente gerado aumentaram a produção mensal; o autor do topo somou US$ 1,7 milhão em 8 títulos. Contradiz e8 e os dois se sustentam — ver 5.3.
- e8.2.1 — Porque o meio-termo é onde se aprendia o ofício por tentativa remunerada, a polarização retira o degrau intermediário da carreira. Inferência sobre estrutura de mercado.
- e9 — Porque a loja não tem como avaliar 530 lançamentos novos por mês, o único atributo que ela consegue coletar a custo zero é a declaração do próprio criador. Três artefatos hoje: Steam desde 2024, itch.io com
AI Generated, Art. 50 desde 02/08/2026.forteealta. - e9.1 — Porque a declaração distingue obras num mercado saturado, ela vira posicionamento; e porque é binária, ela distingue sem informar. Mecanismo de sinalização de mercado, e já há formato de etiqueta "No AI" no itch.io para ancorá-lo.
- e9.1.1 — Porque um bit não sustenta a distinção que o comprador quer fazer, a pressão é por mais bits: o que foi gerado, em que etapa, revisto por quem. O dossiê é a convergência de três ramos — ver 5.3.
- e9.2 — Porque a recomendação automática falha exatamente quando o catálogo cresce mais rápido que o sinal de qualidade, o filtro humano recupera valor econômico. O caso do Spring Thing — mudar a política porque os resenhistas ameaçaram sair — é a primeira evidência de que o trabalho de triagem tem preço.
- e9.2.1 — Porque quem filtra passa a decidir o que existe, o poder migra de quem produz para quem seleciona. Fora da janela (2032) e por inferência.
- e10 — Porque o concurso é o único mecanismo de triagem que já opera com leitura integral e julgamento com nome, e porque o volume não o afoga (ele recusa por desenho), ele volta a ser infraestrutura. O Commonwealth 2026 recebeu 7.806 inscrições e selecionou 25.
- e10.1 — Porque o filtro é caro e o número de submissões é o que o encarece, o organizador racionaliza pelo preço. Mecanismo econômico simples; transforma o filtro em barreira, o que é o efeito indesejado a vigiar.
- e11 — Porque gerar é ato e ler é tempo, e o tempo não escala, a oferta cresce num relógio que a demanda não tem. Evidência de três lados: 30,8% dos lançamentos contra 10-27% das vendas; metade da presença esperada no top 100 do Next Fest; e o relato dos resenhistas de ficção interativa. É a retroação da raiz 3.
- e11.1 — Porque quem paga é quem gera e não quem consome, o modelo de receita das ferramentas se ajusta a isso. Mecanismo econômico direto; já é o modelo do NovelAI (assinatura de quem escreve) e do MangoBox (ferramenta, não loja).
- e11.1.1 — Porque o artefato gerado tem valor de uso alto para quem o gerou e valor de troca quase nulo, ele deixa de ser posto à venda. Se este efeito estiver certo, a raiz 3 se resolve sozinha e o mapa inteiro fica menor — ver seção 7.
Raiz 4 — a linha no que o leitor toca.
- e12 — Porque o que a comunidade protege é a experiência de quem lê, e não a pureza de quem faz, a regra que ela escreve separa superfície e bastidor. Artefato: a regra do IFComp 2026, em vigor, na 32ª edição, com a justificativa registrada na pesquisa de 2025.
forteealta. - e12.1 — Porque a loja declara um bit e a comunidade regula uma superfície, os dois sistemas passam a classificar a mesma obra de forma diferente. Já é observável: o relatório do Next Fest precisou desagregar a declaração em arte, áudio, tradução, escrita e tempo real para dizer algo útil — ou seja, o analista já não aceita o bit.
- e12.1.1 — Porque o bit não resolve a decisão de compra nem a de admissão, a pressão é por campo estruturado. Convergente com e9.1.1 e e4.
- e12.2 — Porque a ferramenta é o que produz a superfície, suspeitar da superfície leva a suspeitar da ferramenta. Artefato: o cisma do Ren'Py em 2026, com desenvolvedores voltando a versões anteriores a 2021 do motor — o que, note-se, é uma reação sobre código de engine, não sobre uma linha de diálogo lida pelo jogador.
- e12.2.1 — Porque a escolha de motor passou a ser lida como posição, o projeto de infraestrutura passa a precisar declará-la. Inferência com precedente próximo (licenças com cláusula ética).
- e13 — Porque não existe equivalente do Ren'Py e o investimento em aprender é irrecuperável, a discordância não se converte em migração. Já relatado em 2026, por isso
prazo: 2027. - e13.1 — Porque a atenção migra por motivo político e a capacidade técnica não migra junto, a alternativa ganha usuários sem ganhar recursos. Nomes que apareceram como alternativas: Light.vn, RenJS, Twine, Bitsy, Decker, Ink.
- e13.1.1 — Porque a forma é sustentada pelo que a ferramenta sabe fazer, uma ferramenta congelada congela a forma, e a invenção migra para fora dela sem o nome dela. Inferência.
- e14 — Porque a declaração é binária e o mercado a lê como demérito — títulos declarados aparecem no top 100 a metade da sua representação —, declarar corretamente custa vendas. É a retroação da raiz 4 e é a mais desconfortável do mapa: a infraestrutura de transparência cria o incentivo a mentir.
- e14.1 — Porque a norma comunitária depende de que cumpri-la não seja ruinoso, e cumpri-la passou a ser, a sanção tem de vir de fora. É por isso que o Art. 50 importa mais do que parece: não por informar o leitor, mas por retirar do autor a escolha.
- e14.1.1 — Porque os dois públicos leem a mesma etiqueta com sinais opostos, a obra não consegue existir nos dois. Inferência; é o efeito que descreve a fratura, se ela se consolidar.
5.2 As classes de referência usadas para dar os prazos
Prazo sem classe de referência é chute. As sete que usei, com o que cada uma ancora:
- Tradução amadora e patches de fã (2000–2026). Vinte e cinco anos em nicho, sem nunca cruzar para o consumidor comum, apesar de gratuita e desejada. Ancora e1 e e1.2: foi por causa dela que empurrei e1 de 2027 para 2028 e o rebaixei de
altaparamedia. O que muda agora é a fricção (instalar e configurar virou comprar por R$ 15,75), não o desejo — e fricção costuma mover adoção mais devagar do que se espera. - Declaração obrigatória na Steam (jan/2024 → 2026). ~7% na largada, 10,9% em 2024, 19,9% em 2025, 30,8% em 2026: dois anos e meio para triplicar, com projeção de metade dos lançamentos em 2027-2028. Ancora e9, e12.1 e e14: regimes de declaração saturam em 3 a 4 anos.
- Narração sintética no Audible (mai/2025 → 2026). Mais de 50 mil títulos em cerca de um ano, a partir do momento em que a plataforma abriu o serviço às editoras. Ancora e8 e e11: quando a plataforma abre a torneira, o catálogo inunda em 12 meses, não em cinco anos.
- C2PA (especificação 2021 → adoção por provedor 2024-2026). Cinco anos entre padrão e embarque por padrão num provedor grande. Ancora e4, e9.1.1 e e12.1.1: infraestrutura de procedência leva meia década do desenho ao uso, mesmo com lei empurrando.
- Greve e contrato SAG-AFTRA (26/07/2024 → 09/07/2025, ratificado com 95,04%). Onze meses de greve, ~2 anos do conflito à cláusula. Ancora e3 e e3.1: quando há categoria organizada, o conflito vira contrato em torno de dois anos — e é por isso que o prazo de e3 é 2028 e não 2031.
- Detecção de plágio (Turnitin, 2000 → padrão institucional ~2010). Cerca de dez anos entre a ferramenta existir e virar padrão de prova aceito. Ancora e4.1 e e10: por essa referência, um padrão de prova de autoria maduro fica fora do horizonte de 2031, o que é exatamente por que e4.1 está em 2030 com confiança baixa e não em 2028.
- AI Act (proposta 2021 → Art. 50 aplicável em 02/08/2026, com prorrogação a 02/12/2026). Cinco anos da proposta à aplicação, com prorrogação de última hora. Ancora e1.1.1, e6 e e14.1: efeito regulatório novo dentro deste mapa chega em 2030-2031, não antes, porque o relógio legislativo é esse — e a prorrogação de quatro meses concedida em 2026 é o lembrete de que ele costuma atrasar, nunca adiantar.
5.3 Cruzamentos: convergência, retroalimentação, contradição
Convergência — o dossiê de procedência. É o achado mais valioso deste mapa. Três ramos de raízes diferentes chegam ao mesmo objeto de 2ª e 3ª ordem, por mecanismos que não se conhecem:
- da raiz 2, e4 → o prêmio pede rascunho, carimbo de tempo e certificado de processo;
- da raiz 3, e9 → e9.1 → e9.1.1: a loja precisa de mais que um bit para o comprador decidir;
- da raiz 4, e12 → e12.1 → e12.1.1: a comunidade regula superfícies e o bit não as descreve;
- e, de lado, da raiz 1, e1.1.1: a lei europeia precisa saber quem tem responsabilidade editorial sobre a versão traduzida.
Quatro caminhos independentes — jurídico, comercial, normativo e regulatório — convergem para a obra passar a viajar com um registro estruturado de como foi feita. Não é uma previsão sobre tecnologia: é o ponto em que quatro pressões distintas precisam do mesmo artefato. Se algo neste mapa merece ser construído de propósito em vez de acontecer por acidente, é este dossiê — e o experimento da seção 10 testa justamente se ele funciona ou se ele apenas muda a nota.
Retroalimentação 1 — o ciclo da lavagem (raiz 2). e7 (a marca não prova autoria) → e7.2 (o autor reescreve para apagar a marca) → a marca perde valor probatório → a instituição migra para atestação de processo (e4, e4.2) → que é mais identificante e mais invasiva que a marca. O ciclo reforça a raiz 2 e a empurra para a sua forma mais intrusiva: quanto menos o artefato prova, mais o processo é vigiado. Quem quiser quebrar o ciclo tem de quebrá-lo em e7.2, não em e4.
Retroalimentação 2 — o freio da demanda (raiz 3). e11 (o público prefere gerar a jogar o gerado) → e11.1 (a ferramenta se vende a quem cria) → e11.1.1 (o gerado deixa de ser publicado) → o despejo diminui → a raiz 3 se enfraquece sozinha. É a única retroalimentação negativa forte do mapa, e é ela que separa o cenário provável do indesejável na seção 9.
Contradição 1 — escrever mais deixa de compensar, e quem escreve mais concentra o topo. e8 e e8.2 não podem ser verdade para a mesma pessoa, e os dois saem do mesmo estudo: a receita por título cai, e 74,5% dos autores que repetiram aumentaram a produção. Não resolvo: registro os dois e digo o que decide entre eles. O que decide é se o autor já tinha alcance antes. Para quem tem, o título marginal capta atenção que já era sua; para quem não tem, ele disputa com o próprio título anterior. A contradição é, na verdade, a descrição de uma distribuição que se parte em duas — e é exatamente o que e8.2.1 afirma.
Contradição 2 — o detentor bloqueia a sobreposição, e a sobreposição roda offline. e1.3 exige um ponto de estrangulamento; e1 e e3.2 dizem que não há nenhum depois da instalação. O que decide é a loja: se a Steam retirar de venda a categoria de tradutores por sobreposição, e1.3 vence; se mantiver — e ela ganha dinheiro com ela —, e3.2 vence e a regulação migra para e3.2.1. Note-se que esta é uma decisão de uma empresa, tomável em uma reunião, e o mapa inteiro da raiz 1 depende dela.
Contradição 3 — a comunidade exige declaração e o mercado pune quem declara. e12 e e14. O que decide é se a sanção externa (Art. 50, política de loja) chega antes de a norma comunitária se desmoralizar. Se chegar, e12 se consolida; se não, e14.1.1 descreve o resultado: dois públicos e nenhuma obra que exista nos dois.
5.4 Cobertura STEEP e quem perde
Social. e5 (a perícia amadora), e4.3 (o custo desigual da suspeita), e4.1.1 (a perda do anonimato como corretor de viés), e14.1.1 (a fratura de público). É o eixo mais denso do mapa, e não por escolha: os três episódios documentados de 2026 são todos sociais antes de técnicos.
Tecnológico. e1 (execução local), e7 (o limite declarado da marca d'água), e12.1.1 (declaração por superfície), e2.2 (texto fora da imagem). Menos denso do que se esperaria — o que é o próprio achado: neste tema, 2026 foi um ano institucional, não um ano técnico. A única melhora técnica grande medida (WSE-Bench) diz que escala não melhora coerência.
Econômico. e8, e8.2, e9, e9.2, e10, e11, e1.1, e6. É onde estão os números duros e onde a confiança é mais alta.
Ecológico. Quase vazio, e registro isso em vez de forçar. O único fio encontrado é argumentativo: no debate sobre o Ren'Py, o consumo de água dos modelos foi usado como razão para não usar IA em tarefa não crítica. É um argumento em uso, não um efeito medido, e não virou efeito da roda porque não achei mecanismo que ligue consumo energético a uma mudança na prática narrativa dentro do horizonte. Se alguém achar, é um buraco deste mapa.
Político. e3 (proibição antes de contrato no Brasil), e6 (registrabilidade após a negativa de certiorari), e1.3, e14.1 (a norma que precisa de sanção externa), e1.1.1 (o cargo que a lei inventou). Segundo eixo mais denso.
Quem perde — a lista, porque mapa que só lista quem ganha está incompleto.
| Quem | Por quê | Efeito |
|---|---|---|
| Dubladores e tradutores no Brasil | erosão de preço e deslocamento da função para o cliente | e3, e3.2 |
| Cenas de tradução amadora | perdem a espera que lhes dava função e autoridade | e1.2 |
| Autores já lidos com desconfiança | pagam o custo da acusação mesmo quando ela é infundada | e4.3 |
| Autores no meio da distribuição | a diluição pune a média e premia quem já tinha alcance | e8, e8.2.1 |
| Quem depende de submissão anônima | o rastro de processo é identificante por construção | e4.1, e4.1.1 |
| Quem declara honestamente | a etiqueta binária custa vendas sem informar nada | e14 |
| Autores presos ao Ren'Py | discordam da ferramenta e não têm para onde ir | e13 |
| Empresas de localização de texto | o produto que vendiam virou bem livre | e1.1 |
| Quem publicava por volume sem alcance | o título marginal canibaliza a própria atenção | e8 |
6. Sinais fracos e wildcards
6.1 Sinal fraco — a detecção que não olha o texto
Onde foi visto. Em junho de 2026, no Archive of Our Own: a classe CSS font-claude-response-body, que um modelo deixa no HTML e que sobrevive à colagem em certas plataformas. Um grupo anônimo publicou um PDF de 25 páginas nomeando cerca de trinta autoras a partir dela, com uma ferramenta de verificação que é literalmente uma regra de estilo pintando a página de vermelho.
O que mudaria. Se a atribuição passar a ser feita por resíduo de artefato em vez de por estilo, ela deixa de exigir perícia, deixa de custar dinheiro e deixa de precisar de um detector sob licença. A acusação vira infraestrutura de praça pública. E, ao mesmo tempo, vira frágil demais para ser prova: a mesma análise contou 6 ocorrências numa obra de 263.627 palavras e 1.300 ocorrências numa obra muito mais curta, e tratou as duas igual.
O sinal observável de que está crescendo. Uma plataforma de publicação amadora anunciar sanitização de metadados na publicação. No dia em que isso acontecer, e5.1 entrou em vigor — e, com ele, a impossibilidade de distinguir higiene de encobrimento.
6.2 Sinal fraco — a tradução de prateleira com preço em real
Onde foi visto. Game Overlay Translator, R.U Studio, na Steam desde 16/07/2026, R$ 15,75, OCR e tradução neural no dispositivo, 35 línguas de destino, funcionamento offline, integração opcional com modelo local.
O que mudaria. Pequeno em tudo — 28 análises no total — e enorme no que significa: uma obra em japonês consumida em português sem que ninguém a tenha traduzido, comprada na mesma loja em que o jogo é vendido, por menos que o preço de um café da tarde. É a materialização inteira da raiz 1 num objeto que cabe num recibo.
O sinal observável. A função aparecer na plataforma e não como aplicativo de terceiro: uma opção de tradução por sobreposição no cliente da Steam, no console, ou no sistema operacional. No dia em que uma plataforma embarcar isso, e1 pula de 2028 para o ano seguinte, e1.3 vira irrelevante e e2 acelera.
6.3 Sinal fraco — o cargo que a lei inventou
Onde foi visto. Art. 50(4) do AI Act: a obrigação de divulgar texto gerado tem exceção quando o texto passou por revisão editorial humana e alguém detém responsabilidade editorial sobre a publicação. Há também exceção para obra artística e criativa, com divulgação apropriada.
O que mudaria. Isto é uma lei sobre transparência criando, como efeito colateral, uma função: existe alguém que responde. Se essa figura pegar, o debate sai de "foi máquina ou humano?" e vai para "quem responde por isto?" — que é uma pergunta melhor, respondível, e com tradição jurídica de séculos. Seria a saída mais civilizada deste mapa inteiro.
O sinal observável. Uma editora ou uma loja passar a exibir, junto da obra, o nome de quem detém responsabilidade editorial — não o nome do autor, o nome do responsável. Seria a primeira peça concreta do dossiê de procedência da seção 5.3.
6.4 Sinal fraco — a linha desenhada no lugar certo
Onde foi visto. A regra do IFComp 2026: conteúdo voltado ao jogador criado por humanos, ferramenta generativa liberada no desenvolvimento, e proibição de a obra exigir que o jurado interaja com serviço generativo externo durante o jogo.
O que mudaria. É a primeira formulação normativa que não é binária e que não é sobre pureza: ela protege a experiência, não a proveniência. Se for copiada por lojas — e a desagregação que o relatório do Next Fest já faz sugere pressão nessa direção —, toda a infraestrutura de declaração construída desde 2024 fica obsoleta de uma vez, porque estava medindo outra coisa.
O sinal observável. Uma loja substituir a caixa "usou IA generativa?" por campos separados de arte, texto, voz, tradução e geração em tempo real. É e12.1.1, e seria o fim do bit.
6.5 Sinal fraco — a obra que muda a cada leitor, e que não apareceu
Onde foi visto. Em lugar nenhum como produto. É a razão de estar aqui e não na seção 4. Procurei duas vezes, com termos diferentes; o que voltou foi material de venda (histórias que reagem a batimento cardíaco medido por relógio, livros infantis com o nome da criança) e trabalho acadêmico em estágio de construção de métrica — o NARRA-Gym, com nove modelos e oito personas, mede personalização empática justamente porque ainda não se sabe medi-la.
O que mudaria. Tudo. Se a obra passar a ser diferente para cada leitor, a conversa sobre um livro deixa de ter referente comum, a crítica perde o objeto, e a citação — a operação que sustenta ensino e pesquisa — deixa de ser verificável. É a pergunta de 2ª ordem que a disciplina propõe, e eu não consegui sustentá-la com evidência.
O sinal observável, e ele é preciso. Uma obra comercial cujo texto (não a ordem das cenas, não a dificuldade) difira entre dois compradores, e cuja loja precise decidir o que fazer com a resenha. O dia em que uma loja tiver de responder "esta resenha é sobre qual versão?" é o dia em que este sinal virou raiz — e o mapa precisa ser refeito.
6.6 Sinal fraco — a recusa que não cede com a qualidade
Onde foi visto. A política da Choice of Games e da Hosted Games: recusa de prosa e arte geradas por incerteza jurídica sobre o direito autoral, com um argumento estético anexo (o objetivo de treino minimiza a surpresa, e output previsível é a definição de lixo gerado), mas com o motivo operativo sendo o primeiro.
O que mudaria. Uma recusa estética cede quando a qualidade sobe. Uma recusa jurídica não cede — ela cede quando a lei muda. Isso significa que a variável que governa o acesso ao mercado comercial da ficção interativa não é o progresso dos modelos: é a jurisprudência. É contraintuitivo e é o mecanismo mais estável do mapa.
O sinal observável. Um registro de direito autoral concedido sobre obra narrativa com texto gerado, com base em seleção e arranjo humanos demonstrados. No dia seguinte, e6 inverte de sinal — está no wildcard 3.
6.7 Sinal fraco — a frase do fórum
Onde foi visto. No fórum de ficção interativa, em discussão sobre competições abertas a entradas geradas: "as pessoas gostam muito mais de gerar jogos com LLM do que de jogar jogos gerados por LLM". E, ao lado, o relato de que o Spring Thing mudou de política porque os resenhistas disseram que parariam de participar se tivessem de atravessar quantidades crescentes de lixo.
O que mudaria. É a formulação mais econômica do freio da raiz 3, e ela vem de dentro da comunidade, não de um analista. Se for generalizável, o mercado de narrativa gerada não é um mercado de obras: é um mercado de ferramentas, e toda a seção 5 da raiz 3 muda de forma.
O sinal observável. A receita das plataformas de geração narrativa crescer enquanto a receita das obras geradas estagna — que é, aliás, exatamente o que o NovelAI (assinatura, sem capital de risco) e o MangoBox (ferramenta, não loja) já parecem ser.
6.8 Wildcard 1 — a marca d'água derrubada num tribunal
Mecanismo. Um prêmio grande retira um título já premiado com base em marca d'água detectada. O autor processa. A defesa usa o que o próprio provedor publicou: a marca não distingue escrita de edição, é ineficaz em amostra pequena e some com reescrita. O tribunal decide que procedência técnica não é prova de autoria, e fixa isso.
Por que é improvável. Exige a coincidência de três coisas — um prêmio que use a marca (hoje o detector não está acessível a prêmios), um autor com recursos para litigar, e um tribunal disposto a se pronunciar sobre método técnico em vez de decidir por procedimento.
O que faria com o mapa. Derruba e4, e7.1 e e9.1.1 de uma vez: toda a infraestrutura de procedência perde valor jurídico, e sobra só valor de marketing. A convergência da seção 5.3 deixa de acontecer por necessidade e passa a acontecer, se acontecer, por moda.
Sinal precoce. Qualquer instituição de premiação anunciar uso de verificador automático como critério eliminatório — a Commonwealth Foundation disse em 22/06/2026 que iniciou conversas exatamente sobre isso.
6.9 Wildcard 2 — a obra que o provedor desligou
Mecanismo. Um jogo com narrativa gerada em tempo de execução — do tipo de Whispers from the Star ou do modo Dreamweaver — depende de um modelo hospedado. O provedor desliga o modelo. A obra publicada, comprada e jogada deixa de existir, e não há build antiga para voltar, porque a obra nunca esteve no disco.
Por que é improvável — e por que já aconteceu com outra coisa. Não é especulação de ficção científica: a OpenAI notificou em 24/03/2026 e removeu a Videos API e todos os apelidos do Sora 2 em 24/09/2026, sem substituto recomendado. O que falta para o wildcard é que o desligado seja o motor de uma obra narrativa vendida, e não uma API de geração.
O que faria com o mapa. Transforma a compra de obra gerada em runtime em arrendamento, com todas as consequências: conservação de mídia vira cláusula contratual, arquivo de jogo vira impossível, e a pergunta "esta obra ainda existe?" passa a ter resposta datada. Acrescentaria um ramo inteiro à raiz 3 que este mapa não tem.
Sinal precoce. Um estúdio anunciar garantia contratual de disponibilidade do modelo, ou modo degradado local, na página de venda de um jogo com narrativa gerada.
6.10 Wildcard 3 — o registro concedido
Mecanismo. Um tribunal ou o próprio escritório de direito autoral reconhece proteção sobre a seleção e o arranjo de saídas geradas, aceitando como prova o prompt arquivado e o rastro de processo. A registrabilidade deixa de ser barreira.
Por que é improvável no horizonte. A Suprema Corte negou certiorari em 02/03/2026, deixando de pé a exigência de autoria humana; a orientação de janeiro de 2025 admite registro quando há "autoria humana significativa", caso a caso, o que é justamente o oposto de uma regra.
O que faria com o mapa. Inverte e6 e e6.1: a recusa comercial da Choice of Games perde o seu motivo declarado, e a coautoria declarada deixa de ser risco patrimonial. Boa parte da raiz 2 continuaria de pé (a questão social não é jurídica), mas o mecanismo econômico mais forte do mapa sairia.
Sinal precoce. Um registro concedido com fundamentação publicada em que o prompt apareça como prova — e não como confissão.
6.11 Wildcard 4 — a lavagem automatizada
Mecanismo. Alguém publica uma ferramenta que remove a marca d'água sem reescrever o texto — parafraseando localmente só nas posições de escolha de baixo risco. O trabalho humano de e7.2 deixa de ser necessário.
Por que é improvável. Exige conhecimento da regra de marcação, que não é pública; mas a literatura de marca d'água em texto é aberta e o PAN 2026 tem uma tarefa compartilhada dedicada a isso — ou seja, há uma comunidade organizada atacando o problema por motivos legítimos.
O que faria com o mapa. e7.2 deixa de exigir esforço, e7.2.1 nunca acontece (não há nem simulacro de revisão), e o Art. 50 vira letra morta para texto em menos de um ano. Toda a raiz 2 se desloca de uma vez para atestação de processo, que é a variante mais invasiva.
Sinal precoce. Um artigo aceito no PAN, ou um repositório com mais de mil estrelas, demonstrando remoção de marca com preservação de sentido medida.
7. Contra o próprio mapa
Este é o passo que a maioria das rodas não tem. Foi feito por escrito sobre o mapa já pronto, e o mapa foi alterado. O registro auditável das alterações está em 7.8.
7.1 Pré-mortem: é 2031 e este mapa se mostrou errado. Por quê?
Razão 1 — porque a coisa toda passou, e o tema de 2031 era outro. A hipótese mais provável de fracasso deste mapa não é errar um efeito: é ter escolhido o objeto errado. Em 2026 a narrativa gerada é, pelos números, uma fração pequena do que se usa IA para fazer em mídia: no Next Fest de junho, ativos visuais responderam por cerca de 60% das declarações e escrita e diálogo por "baixo". Se em 2031 a escrita continuar sendo o uso menos comum, este mapa terá mapeado uma periferia com muita precisão. Aponta para: rebaixar toda a raiz 3, que assume que o despejo narrativo continua. Aplicado em 7.8.
Razão 2 — porque as instituições se acomodaram e nada mudou. Todo o eixo das raízes 2 e 4 supõe que prêmios, editoras, lojas e comunidades agem. A evidência de 2026 é mais modesta que isso: a Commonwealth Foundation, diante de três acusações públicas, examinou, concluiu que não houve IA, manteve todos os prêmios, e disse que ia conversar com outras organizações. Isso é o comportamento normal de uma instituição: absorver o choque e continuar. Se o mesmo se repetir por cinco anos, e4, e10 e e12.1.1 não acontecem. Aponta para: e4 e e10.
Razão 3 — porque o gerado ficou bom o bastante para ninguém perguntar. Todo o mapa supõe que a distinção importa. Se a qualidade média do gerado subir até o ponto em que o leitor comum não distingue e não se interessa, a procedência vira uma preocupação de nicho profissional — como ninguém pergunta hoje se a capa de um livro foi feita em Illustrator. A evidência contra isso é o WSE-Bench (escala não melhora consistência) e os 45,7% de preocupação da PGB; a evidência a favor são os 39,3% que comprariam assim mesmo. Aponta para: e9.1 e e14 — se o leitor não se importa, o selo não vira posicionamento e declarar não custa vendas, e as duas pontas caem juntas.
7.2 Extrapolação linear: o que aqui é só "mais do mesmo, maior"?
Três efeitos foram marcados como extrapolação e tratados:
- e8 ("escrever mais deixa de compensar") é a extrapolação mais pura do mapa: é a curva de diluição do estudo da Amazon prolongada. Ganhou mecanismo de não-linearidade ao ser cruzada com e8.2 — a mesma curva produz resultados opostos conforme o alcance prévio, o que é uma bifurcação, não uma reta. Mantido.
- e9.2 ("a curadoria humana volta a ser paga") era "mais curadoria, porque mais conteúdo". Só sobrevive porque tem um mecanismo não-linear observado: o Spring Thing mudou de política quando os resenhistas ameaçaram sair. É um limiar, não uma inclinação. Mantido, com o mecanismo explicitado em 5.1.
- e2.1 ("o valor do catálogo deixa de depender da língua") não tinha mecanismo próprio — era "a tradução melhora, logo a língua importa menos". Perdeu confiança e ganhou prazo. Aplicado em 7.8.
7.3 Velocidade de adoção: confronto com a classe de referência
- e1 pedia 2027 com confiança alta. A classe de referência 1 (tradução amadora, 25 anos em nicho) desmente: o desejo existe há duas décadas e nunca cruzou. O que mudou é fricção e preço, e fricção move adoção devagar. Empurrado para 2028 e rebaixado.
- e4 pedia 2028. A classe 6 (Turnitin, ~10 anos da ferramenta ao padrão de prova) diz que um padrão maduro fica fora de 2031. Mantive 2028 porque o que e4 afirma não é o padrão maduro — é o prêmio pedir o rastro, que é um ato administrativo barato e já foi executado uma vez em
- Mas e4.1, que depende do padrão, foi empurrado para 2030 com confiança baixa.
- e12.1.1 (declaração por superfície) pedia 2029. A classe 4 (C2PA, cinco anos do padrão ao embarque) e a classe 2 (declaração na Steam, 3-4 anos para saturar) somadas dizem 2031. Empurrado.
- e3 (regulação da dublagem no Brasil) foi conferido contra a classe 5 (SAG-AFTRA, ~2 anos do conflito à cláusula). A audiência é de agosto de 2024, os projetos estão em tramitação: 2028 é compatível, com a ressalva de que o relógio legislativo brasileiro é mais lento que o de uma negociação coletiva. Mantido, e a ressalva fica registrada.
7.4 A raiz que não acontece: o que sobra do mapa?
- Sem a raiz 1 (a tradução fica em nicho, como ficou por 25 anos): perdem-se e1, e2, e3 e todos os descendentes — 13 efeitos. As raízes 2, 3 e 4 ficam intactas, porque nenhuma delas depende de tradução. O mapa encolhe e não muda de forma.
- Sem a raiz 2 (a marca d'água não pega, a atestação não sai do nicho, as instituições não pedem nada): perdem-se 14 efeitos. Mas e5 já aconteceu — a perícia amadora é fato de 2026 —, então o que se perde é a institucionalização, não o fenômeno. Sobra um mundo em que a acusação existe e a prova não, que é pior que o mapa e não está desenhado aqui. É a maior fragilidade desta seção.
- Sem a raiz 3 (o despejo não continua, seja por saturação, seja porque a IA em narrativa continua marginal): perdem-se 11 efeitos, e o mapa perde o seu eixo econômico. As raízes 2 e 4 sobrevivem inteiras, porque a briga sobre autoria não precisa de volume — precisa de um caso.
- Sem a raiz 4 (a linha continua binária, o IFComp recua, o Ren'Py se acomoda): perdem-se 9 efeitos. E, notavelmente, e9 (a loja filtra por procedência declarada) fica de pé, porque ele deriva da raiz 3.
O teste passa. Nenhuma raiz sustenta sozinha o mapa inteiro, e as quatro têm mecanismos distintos — custo marginal no cliente, obrigação jurídica, economia de atenção, norma comunitária. A que mais se aproxima de ser dispensável é a raiz 1, que é também a mais autocontida; e a que mais expõe um buraco quando removida é a raiz 2.
7.5 Suposições escondidas
Sete premissas que o mapa assumia sem dizer. Cada uma, se quebrada, é um efeito removido ou um wildcard novo.
- Que a capacidade dos modelos só acumula. O desligamento do Sora 2 (24/09/2026, sem substituto) desmente, e virou o wildcard 2. Esta era a premissa mais perigosa do mapa e eu a tinha, sim, antes de encontrar a tabela de depreciações.
- Que os provedores continuam marcando. A marca d'água do Claude é uma decisão de empresa sob pressão do Art. 50. Um provedor fora da Europa, ou um modelo aberto rodando localmente, não marca nada — e a raiz 2 inteira supõe que a saída passa por quem marca.
- Que modelo aberto continua aberto e rodável em máquina de consumidor. A raiz 1 depende disso: OCR e tradução neural offline num aplicativo de R$ 15,75. Se a licença ou o hardware mudarem, a tradução volta para a nuvem e volta a ter dono.
- Que a plataforma continua permitindo. e1, e3.2 e e5.1 dependem de a loja não agir. Uma decisão de uma empresa, tomável numa reunião, derruba três ramos.
- Que a regulação europeia é o relógio do mundo. Metade do eixo político deste mapa é o Art.
- O Brasil está legislando sobre voz, não sobre texto; os Estados Unidos decidiram por omissão (certiorari negado). O mapa é mais europeu do que declarei no recorte "global".
- Que o público quer saber. e9.1 e e14 supõem que a procedência é um atributo de compra. Os 39,3% da PGB que comprariam assim mesmo são a evidência contra, e o experimento da seção 10 foi desenhado para atacar exatamente esta premissa.
- Que a novela visual continua existindo como forma. e13.1.1 é o único efeito que questiona isso, e é de 3ª ordem. Todo o resto do mapa assume a forma dada.
7.6 Viés do autor
Três vieses meus, nomeados.
Primeiro: gosto do achado contraintuitivo, e isso me fez recusar a raiz óbvia. A seção 4.0 recusa "a frase vira novela visual" com argumento, mas a satisfação de recusá-la veio antes do argumento. Um leitor razoável pode dizer que baixar a barreira de entrada de "saber programar Ren'Py" para "escrever uma frase" é a ruptura, e que eu a reclassifiquei como efeito porque a ruptura de mercado ainda não apareceu nos números — o que confunde disrupção com resultado comercial. Registro a objeção porque ela é boa, e não a resolvo.
Segundo: sou professor, e prêmio, concurso e critério de admissão são o meu mundo. As raízes 2 e 4 são, juntas, 23 dos 57 efeitos, e são precisamente sobre julgar trabalho escrito e sobre quem tem autoridade para admitir. É plausível que eu esteja dando a instituições de legitimação um peso que elas não têm fora do meu ofício. O contrapeso honesto é que os três episódios documentados de 2026 foram todos de legitimação — mas eu também os encontrei porque os procurei.
Terceiro: escrevi este mapa com a mesma tecnologia que ele analisa, e o fiz sob as regras da seção 4.4 invertidas — o leitor toca conteúdo gerado, e a declaração está no frontmatter. Se e14 estiver certo, este documento paga o custo que ele descreve.
7.7 Calibração
Contagem por ordem, depois das alterações: 1ª ordem — alta 3, média 11, baixa 0; 2ª ordem — alta 1, média 16, baixa 9; 3ª ordem — alta 0, média 0, baixa 17.
A distribuição cai com a ordem, como deve. Duas observações sobre ela. Primeira: não há nenhum efeito de 1ª ordem com confiança baixa, o que é correto neste mapa mas merece suspeita — significa que eu só admiti como 1ª ordem o que já tem artefato, e efeitos de 1ª ordem genuinamente incertos podem ter sido empurrados para baixo na árvore por comodidade de calibração. Segunda: os três alta de 1ª ordem (e5, e9, e12) são todos efeitos que já aconteceram em 2026 — o que é honesto, mas quer dizer que a parte mais confiável deste mapa é a parte que não é futuro.
7.8 Registro de alterações
Cota mínima da skill: pelo menos um efeito rebaixado ou removido por raiz. A bateria derrubou nove e removeu quatro.
Raiz 1:
e1: prazo 2027 → 2028; confiança alta → media. Porque a classe de referência 1 (tradução amadora em nicho por 25 anos) diz que fricção e preço movem adoção mais devagar do que a disponibilidade sugere.e2.2: era efeito de 1ª ordem comsinal: medio→ reclassificado como 2ª ordem sob e2, comsinal: fraco. Porque não há um só caso observado de estúdio mudando decisão de arte por causa de tradução no cliente, e porque, sem e2, ele não tem causa.e2.1: prazo 2029 → 2031; confiança media → baixa. Porque, na §7.2, ele se revelou extrapolação sem mecanismo próprio.
Raiz 2:
e4.1: prazo 2028 → 2030; confiança media → baixa. Porque a classe 6 (Turnitin, ~10 anos até virar padrão de prova) coloca um padrão maduro fora de 2031.e6.2: confiança media → baixa. Porque as duas ferramentas de atestação que encontrei (Writermark, TypeOS) vendem ao autor, e o efeito afirma venda a quem publica — a evidência disponível é contra, não a favor.- Removido —
e4.4, "cursos de escrita criativa reorganizam o currículo em torno de procedência": cai na lista de efeitos proibidos do §3 da skill (formação reorganiza currículo), sem curso nomeado e sem mecanismo que o ligue ao pai. Vai para a seção 12.3.
Raiz 3:
e8.1: confiança media → baixa; prazo 2029 → 2031. Porque o mecanismo é por eliminação ("se o novo não vende, sobra o velho") e não tem nenhum caso.- Removido —
e10.2, "universidades criam disciplina de curadoria de acervo gerado": mesmo motivo que o anterior, e com o agravante de que eu tinha interesse pessoal em que fosse verdade. - Removido —
e9.3, "reguladores criam uma categoria jurídica nova para obra gerada": proibido pelo §3 sem regulador nomeado — e, além disso, já aconteceu (Art. 50). Virou contexto na seção 3.1, não efeito.
Raiz 4:
e12.1.1: prazo 2029 → 2031. Porque as classes 2 e 4 somadas (saturação de regime de declaração + adoção de padrão de procedência) não permitem 2029.e14: reformulado. Era "leitores boicotam obras declaradas", que falhava no teste de especificidade (serve para qualquer tecnologia rejeitada) e não tinha mecanismo. Virou a inversão de incentivo, ancorada num número: títulos declarados aparecem no top 100 a metade da sua representação no campo.- Removido —
e13.2, "surge a profissão de curador de procedência": proibido pelo §3 (nova profissão) sem nome e sem mecanismo; a substância útil dele foi absorvida por e9.2, que tem ator nomeado (o resenhista do Spring Thing) e mecanismo de limiar.
Um efeito que a bateria testou e não derrubou, com o motivo: e5 (a perícia amadora distribuída) manteve sinal: forte e confianca: alta, contra a regra geral de desconfiar de confiança alta. Mantido porque há três artefatos independentes em 2026 — o PDF do AO3 com ~30 nomes, o episódio Commonwealth com detector comercial, e o vídeo que derrubou Shy Girl — e porque o efeito descreve algo que já ocorreu, não algo que ocorrerá.
8. O que a máquina errou
Eu sou a máquina. Sete itens específicos sobre esta rodada, cada um com como percebi.
1. Quase publiquei "a OpenAI desistiu de gerar vídeo" a partir de um resumo de busca. O primeiro resultado dizia que o Sora 2 seria desligado em 24/09/2026 e a tentação era escrever isso como se fosse uma retirada de mercado. Fui à tabela de depreciações da OpenAI e o que ela sustenta é preciso e mais estreito: a Videos API e os apelidos sora-2 e sora-2-pro saem da API nessa data, sem substituto recomendado. A data de 26/04/2026 para o encerramento do aplicativo e da web, que aparece em fontes secundárias, eu não consegui confirmar: a página oficial de ajuda devolveu 403. Ela não está no corpo do mapa por isso.
2. Usei números de um detector publicados pelo próprio fabricante do detector. As marcas de "100% IA" sobre os contos do Commonwealth vêm do blog da Pangram, que vende o Pangram. Eu as uso para descrever o que foi alegado, nunca o que é o caso — e a decisão da Commonwealth Foundation, de 22/06/2026, conclui o oposto. Se eu tivesse deixado o número valer como fato, teria publicado material de marketing de um fornecedor como achado de pesquisa. É o erro mais fácil de cometer neste tema, porque o número é vistoso e a fonte é pública.
3. O emblema do tema é o meu ponto mais fraco. Abri a página "sobre" do MangoBox e ela não tem: número de usuários, número de histórias, preço, data de lançamento, modelo usado. Nada. Passei por um momento em que a saída natural era escrever prosa plausível sobre "milhares de histórias geradas" — e ela teria passado despercebida. A seção 3.1 diz, em vez disso, que o emblema do tema é opaco, o que é menos satisfatório e é o que eu tenho.
4. Dois números importantes vêm de fonte secundária porque a primária me barrou. Os percentuais da Pesquisa Game Brasil 2026 (45,7% e 39,3%) vêm do Omelete, porque o Adrenaline devolveu 403; e a história da detecção no AO3 vem de um ensaio no Substack, porque a postagem administrativa do próprio AO3 devolveu 403. O "12,6 milhões de obras raspadas em abril de 2025" é um número redondo que eu não verifiquei na fonte e que, por isso, não sustenta nenhum efeito da roda — está na seção 3 como contexto e nada mais.
5. Procurei duas vezes a obra que se adapta a cada leitor e voltei com material de venda. Dei ao resultado o estatuto de busca negativa (seção 4.0, candidato 5, e sinal fraco 6.5) em vez de tratar marketing como sinal. Declaro a tentação porque ela era grande: é a pergunta de 2ª ordem que o enunciado da disciplina propõe, e havia um caminho fácil para escrever uma cadeia inteira em cima dela.
6. Atribuí a uma comunidade a fala de uma pessoa. A frase "as pessoas gostam muito mais de gerar jogos com LLM do que de jogar jogos gerados por LLM" é a formulação de um participante num tópico de fórum, resumida por mim como "consenso da comunidade" numa primeira versão da seção 6.7. Corrigi para "vem de dentro da comunidade" — que é o que eu posso sustentar. O mesmo cuidado vale para o cisma do Ren'Py: as duas fontes que abri são blogs de desenvolvedoras com posições opostas, não um comunicado do projeto, e o texto do mantenedor está atrás do Patreon, que eu não abri.
7. O sinal de vários efeitos foi posto pela minha crença antes de ser posto pela contagem. A regra da skill é que sinal conta artefatos verificáveis hoje: 0 é fraco, 1-2 médio, 3+ forte. Na primeira passada eu marquei medio em efeitos com zero artefato porque me pareciam prováveis. Refiz a contagem: os três forte (e5, e6.1, e9) têm três, um e três artefatos nomeados respectivamente — e6.1 tem só um (a política da Choice of Games), o que pela regra o colocaria em medio. Mantive forte porque a política é escrita, em vigor e de uma editora comercial em atividade, mas o leitor deve saber que este é o único forte do mapa que não bate com a contagem.
9. Três cenários para 2031
Provável — o dossiê, o freio e o ruído
Em 2031 ninguém pergunta mais se a máquina escreveu. Pergunta-se quem responde. Toda obra narrativa vendida em loja grande viaja com um registro estruturado do modo como foi feita — não um selo, um formulário: que parte da arte, do texto, da voz e da tradução passou por máquina, e o nome de quem detém responsabilidade editorial pela versão naquela língua. O formulário nasceu de quatro pressões que não se conheciam (a lei europeia, a loja saturada, o prêmio escaldado e a comunidade de ficção interativa) e por isso é feio, redundante e inconsistente entre plataformas. Ele resolveu menos do que prometia: continua sem haver forma barata de verificar a declaração, e a perícia amadora segue viva, com alvos, erros e retratações. O despejo desacelerou, mas não porque alguém o controlou: porque quem gera descobriu que gostava mais de gerar do que de publicar, e as ferramentas passaram a vender assinatura a autores em vez de obras a leitores. A localização de texto encolheu mais uma vez; a tradução por sobreposição é banal e ninguém a chama de tradução. E a novela visual, como forma, está praticamente onde estava em 2026 — porque o motor está onde estava.
O sinal precoce de que estamos aqui: uma loja grande substituir a caixa "usou IA generativa?" por campos separados por superfície, mantendo a autodeclaração e sem verificação.
Desejável — a responsabilidade em vez da pureza
Em 2031 a pergunta "foi humano ou máquina?" foi abandonada por inútil, e o que ficou no lugar dela é melhor: alguém responde por isto, e tem nome. A exceção do Art. 50(4) — que isenta o texto revisto por quem detém responsabilidade editorial — virou o eixo, e não a nota de rodapé. O efeito é que a coautoria declarada deixou de ser confissão: declarar não custa vendas, porque o que o comprador lê não é "tem IA" e sim "quem responde". A atestação de processo existe, é opcional, roda localmente e devolve um booleano sem entregar o rastro — o que preservou a submissão às cegas, e com ela o anonimato que corrigia viés. Os casos de 2026 — a edição cancelada por rumor, o manuscrito retirado, o prêmio sob suspeita — são ensinados como o momento em que a indústria quase resolveu o problema errado. E há mercado pago para quem seleciona: resenhista, jurado, editor de antologia voltaram a ser pagos pelo trabalho de ler, porque ler virou o recurso escasso.
O que teria de ser feito para chegar lá. Três coisas concretas, todas possíveis hoje: uma loja grande adotar declaração por superfície em vez de binária; uma instituição de premiação aceitar atestação que devolva booleano sem identificar; e alguém financiar a triagem em dinheiro, e não em entusiasmo. O sinal precoce: o primeiro concurso a publicar seu critério de prova de autoria antes de precisar dele.
Indesejável — a suspeita como regime
Em 2031 a prova de autoria está com quem regula e com quem vende detecção, e não com quem julga. A acusação continua barata e a defesa continua cara, e as duas se distribuem desigualmente: quem já era lido com desconfiança responde por acusações que não precisam ser demonstradas para custar um contrato. A marca d'água provou pouco e a atestação de processo preencheu o vazio — de modo que escrever passou a ser um ato observado, com ritmo de digitação, carimbo de tempo e histórico de revisão, e a escrita privada deixou de ser compatível com a publicação profissional. Como declarar custa vendas e não declarar quase não tem sanção, a prática honesta é minoria, e a etiqueta virou ruído. As comunidades que tentaram desenhar a linha no lugar certo — no que o leitor toca — foram atropeladas por lojas que só sabem contar bits. A novela visual, como forma, envelheceu presa ao motor de que a comunidade desconfia e que ninguém substituiu.
O sinal precoce, e é preciso: a primeira instituição literária ou acadêmica a exigir atestação de processo identificante como condição de inscrição, sem oferecer a variante que preserva o anonimato. É a bifurcação entre este cenário e o desejável, e ela será tomada por alguém que acha que está resolvendo um problema administrativo.
10. O experimento
O que é
A ficha técnica. Uma novela visual curta — 10 a 15 minutos, uma cena, três personagens, final único — construída uma vez só. A mesma build, bit a bit. O que varia é a ficha de procedência exibida na tela antes de começar, e os grupos da turma são sorteados entre quatro condições:
- A — "Texto e arte feitos à mão pela autora."
- B — "Texto da autora. Arte gerada por modelo, selecionada e retocada à mão."
- C — "Roteiro gerado a partir de um argumento da autora, reescrito à mão. Arte à mão."
- D — sem ficha nenhuma.
Todos jogam a mesma coisa. Ao final, cada pessoa responde três perguntas antes de qualquer conversa: uma nota de 0 a 10; a frase de que mais gostou, copiada; e "o que você mudaria?". Depois — e só depois — revela-se que as quatro fichas eram falsas e que a build era uma só.
A segunda metade do experimento é o espelho: duas builds de verdade diferentes (uma com arte feita à mão, outra com arte gerada), ambas sem ficha, jogadas por grupos sorteados. Junto, os dois braços formam um 2×2: declaração sem diferença, e diferença sem declaração.
Que pergunta sobre o futuro ele ajuda a responder
A pergunta de que depende metade deste mapa: quanto da avaliação de uma obra vem da obra, e quanto vem do que se disse sobre como ela foi feita? É a premissa escondida nº 6 da seção 7.5, e dela dependem e9.1 (o selo vira posicionamento), e14 (declarar custa vendas), e12.1 (a declaração binária não descreve o que se regula) e boa parte da raiz 2. Nenhum desses efeitos sobrevive se a procedência não mover a nota.
O segundo braço responde a pergunta complementar, e é a que a turma vai querer discutir: se a diferença real (arte gerada) não move a nota e a diferença declarada move, então a etiqueta não está informando o leitor — está construindo o julgamento dele. O que é, exatamente, a acusação que a seção 6.4 faz contra o bit.
Que tecnologia emergente ele usa, e por que não dá com a madura
Usa duas. A geração do artefato narrativo inteiro — porque a condição de arte gerada tem de ser produzida por quem faz o experimento, em horas, e não encomendada; era isso que não dava para fazer em 2021 sem orçamento e sem ilustrador. E a declaração de procedência estruturada — as fichas A, B e C são exatamente os campos que a seção 6.4 prevê que as lojas terão de adotar, e o experimento os testa antes de existirem.
Com tecnologia madura o experimento não se faz, por uma razão específica: para isolar o efeito da declaração é preciso que as quatro condições sejam a mesma build, e para o segundo braço é preciso que as duas builds difiram só na arte, com tudo o mais idêntico. Produzir duas artes completas equivalentes com dois métodos, no mesmo prazo, é o que a geração torna possível — e é a mesma capacidade que o mapa analisa.
O que a turma vai fazer quando testar isso em sala
- Antes: cada pessoa escreve, em uma linha, quanto acha que a ficha vai mover a nota. As previsões ficam guardadas. (Isto é o experimento sobre o experimento: mede calibração da turma, que é o objeto da disciplina.)
- 15 minutos: sorteio das condições e jogo. Ninguém conversa.
- 5 minutos: as três respostas, por escrito, sem conversa.
- Revelação e leitura das médias por condição, no quadro, ao vivo.
- 20 minutos de discussão, ancorada em três perguntas: se a ficha moveu a nota, o que é exatamente que a loja está vendendo quando exibe um selo? Se a ficha moveu a nota para cima em A e a arte gerada real não moveu para baixo, o que a turma acabou de descobrir sobre a própria percepção? E: quem de vocês mudaria o próprio voto agora que sabe?
- Segunda rodada, se houver tempo: o mesmo com as fichas trocadas entre grupos, para ver se a revelação imuniza.
O resultado que me faria mudar de ideia
Se as médias de A, B, C e D não diferirem de forma perceptível — digamos, dentro de meio ponto numa escala de dez, com a turma inteira —, então a procedência não é um objeto de valor para o leitor, e este mapa está errado no seu eixo principal. Cairiam e9.1, e14, e9.1.1 e a convergência da seção 5.3 perderia o seu mecanismo de mercado (sobraria só o jurídico, via e6). O gargalo não seria legitimação; seria só atenção, e a raiz 3 passaria a explicar sozinha quase tudo o que as raízes 2 e 4 explicam aqui com muito mais aparato.
E há um segundo resultado que me faria mudar de ideia em sentido contrário, e é o que eu menos espero: se a build com arte gerada de verdade, sem ficha, receber nota significativamente menor que a idêntica com arte à mão, então o leitor distingue sem ser avisado, toda a discussão sobre declaração é secundária, e o freio da raiz 3 é de qualidade e não de atenção. Nesse caso o mapa está certo pelo motivo errado — o que, para efeito de aula, é o resultado mais interessante dos três.
Uma ressalva honesta de método, porque a turma vai apontá-la: catorze alunos não dão poder estatístico para nada. O experimento não mede um efeito populacional; ele produz uma experiência compartilhada de descobrir que o próprio julgamento se moveu por causa de uma etiqueta falsa. Se a turma quiser o número, o desenho é replicável com estranhos por formulário — e aí o segundo braço vira o interessante.
11. Fontes
Só o que eu abri e li nesta rodada, em 11/09/2026. Para cada uma: o que sustenta neste documento e uma linha sobre confiabilidade. As páginas que não abriram estão na seção 12.4, com o código.
https://arxiv.org/html/2607.20349v2— Chakrabarty, Liu, Ginsburg e Dhillon, Generative AI floods and dilutes the market for books, 26/07/2026. Sustenta a raiz 3 inteira: ×38,3 títulos, ×8,9 receita, 20% do catálogo com 12,1% das vendas, diluição de 87,8% para 62,8%. Alta: preprint com método declarado, 14.419 livros com vendas diárias, quatro autores com filiação (Stony Brook, Columbia Law, Michigan). Ressalva: usa um detector comercial (Pangram 3.3) como instrumento, e a taxa de erro dele não é auditável por quem lê.https://app.cinevva.com/news/2026-07-20-steam-ai-disclosure-study— leitura do censo de Sulka Haro sobre 53.597 lançamentos da Steam. Sustenta 10,9%/19,9%/30,8%, os 530 lançamentos mensais e a fatia de 10-27% das vendas. Média: é jornalismo sobre um censo de terceiro; os números são consistentes com as outras duas fontes de Steam deste mapa, o que é o que me faz usá-los.https://www.llamagriffin.com/Data/SteamNextFestJune2026/part-2.html— relatório de declaração de IA no Steam Next Fest de junho de 2026. Sustenta o número que mais mudou este mapa: a repartição por uso (arte ~60%, tradução comum, escrita baixa, tempo real raro) e os 26,5% sobre 4.382 demos, contra 21,2% em fevereiro. Média-alta: método declarado, base GameDiscoverCo, comparação metodologicamente consistente entre edições.https://allcorrectgames.com/insights/game-text-localization-market-2025-revenue-estimates-and-key-trends/— mercado de localização de texto de jogos. Sustenta US$ 253 mi (2024) → US$ 246 mi (2025) e a concentração. Média-baixa: é uma empresa do setor estimando o próprio setor, com modelo declarado (MobyGames, LinkedIn, receita pública). Usei a direção e a ordem de grandeza, não a precisão.https://commonwealthfoundation.com/2026-cw-prize-update/— declaração oficial da Commonwealth Foundation, 22/06/2026. Sustenta o desfecho do caso: exame de rascunhos e carimbos de tempo, conclusão de que IA não foi usada, nenhum prêmio retirado, conversas sobre verificadores. Alta: fonte primária, é a própria instituição falando do próprio ato.https://www.pangram.com/blog/ai-is-writing-prize-winning-fiction— o blog do fabricante do detector, com as marcas de 100%, 100% e 89% e a data de 18/05/2026. Baixa como prova, alta como registro da alegação: é o vendedor falando do próprio produto. Usei só para descrever o que foi alegado, e sempre ao lado da fonte 5, que conclui o contrário.https://www.csmonitor.com/Arts-Culture/Books/2026/0812/ai-publishing-commonwealth-prize-shy-girl— 12/08/2026, panorama dos três episódios de 2026. Sustenta Shy Girl, o manuscrito de Falade, as políticas da Hachette e da Penguin Random House e o argumento de viés racial levantado pelos acusados. Alta: jornalismo com fontes nomeadas, num veículo com padrão editorial.https://ifcomp.org/rules/— regras do IFComp 2026. Sustenta a raiz 4 inteira: conteúdo voltado ao jogador por humanos, ferramenta liberada no desenvolvimento, proibição de serviço generativo externo durante o jogo. Alta: fonte primária, regra em vigor.https://intfiction.org/t/interactive-fiction-competitions-open-to-genai-entries-2026/77758— tópico do fórum de ficção interativa. Sustenta a mudança de política do Spring Thing por pressão dos resenhistas e a frase sobre gerar × jogar. Média: é fórum; usei como relato de posição, com autoria de participante, não como fato institucional.https://www.choiceofgames.com/make-your-own-games/we-dont-use-ai/— política da Choice of Games e Hosted Games. Sustenta e6.1: recusa por incerteza jurídica de direito autoral, com o argumento estético anexo. Alta: fonte primária, política comercial publicada.https://nomnomnami.pika.page/posts/the-great-renpy-schism-of-2026— relato favorável ao mantenedor, com a cronologia: Patreon em março de 2026, versão em maio, Bluesky em junho. Média: blog de desenvolvedora com posição declarada; usei pela cronologia, não pelo juízo.https://itch.io/blog/1552072/thoughts-about-the-renpy-situation— relato contrário, com a alegação de uso desde 2021 e divulgação só em 2026, o argumento ambiental, e a lista de alternativas (Light.vn, RenJS, Twine, Bitsy, Decker, Ink) e o downgrade para versões pré-2021. Média: mesmo estatuto da 11, e por isso as duas estão aqui, uma de cada lado.https://whitneyafoster.substack.com/p/ao3-ai-fanfiction-heated-rivalry-detection— análise crítica do PDF de 25 páginas. Sustenta a classefont-claude-response-body, ~30 autoras nomeadas, e a desproporção entre 6 ocorrências em 263.627 palavras e 1.300 numa obra curta. Média: ensaio individual, mas é a única fonte que confere o método da acusação em vez de repeti-lo — e é por isso que ela está aqui e a acusação não.https://www.anthropic.com/news/claude-text-watermark— anúncio da marca d'água de texto, 14/08/2026. Sustenta o mecanismo (escolhas de baixo risco), a cobertura (texto, C2PA em.png/.jpg/.svg), os limites declarados e o detector em pré-visualização privada. Alta para o que a empresa fez, baixa para a eficácia: é o fornecedor descrevendo o próprio produto — mas os limites são os mais úteis aqui, e eles são declarados contra o interesse de quem os declara.https://artificialintelligenceact.eu/article/50/— Art. 50 do AI Act. Sustenta a obrigação de marcação legível por máquina, a aplicação desde 02/08/2026, e a exceção de responsabilidade editorial do §4 que gera o sinal fraco 6.3. Alta: reprodução do texto legal, num portal de referência amplamente usado.https://developers.openai.com/api/docs/deprecations— tabela oficial de depreciações. Sustenta o wildcard 2 e a recusa do candidato 3: notificação em 24/03/2026, remoção em 24/09/2026 da Videos API,sora-2,sora-2-proe instantâneos, sem substituto. Alta: documentação primária do fornecedor.https://arxiv.org/abs/2603.05890— Li, Guo, Wu, Lee, Li e Xie, Lost in Stories (ConStory-Bench), 06/03/2026. Sustenta o limite de coerência longa: 2.000 prompts, cinco categorias com 19 subtipos, erros no meio da narrativa e nas dimensões factual e temporal. Alta para o desenho, média para as conclusões: preprint, sem revisão por pares confirmada.https://arxiv.org/html/2608.15654— Chen, Li, Cai, Li, Yan e Li, When Stories Evolve (WSE-Bench), 16/08/2026. Sustenta o achado mais importante da seção 3.2: 20 passos, 12 arquiteturas, Cobertura +19,32 pontos por duplicação de parâmetros, Consistência e Riqueza sem ganho monotônico, fronteira de Pareto não-côncava. Alta para o desenho, média para os números: preprint recente; usei os valores relativos, não os absolutos por modelo.https://arxiv.org/abs/2605.08503— Huang e outros, NARRA-Gym, 08/05/2026. Sustenta que a personalização narrativa está em fase de construção de métrica: nove modelos, oito personas, juiz automático mais avaliação humana. Média-alta: preprint com dezoito autores e desenho declarado.https://arxiv.org/pdf/2602.09147— Overview of PAN 2026. Sustenta que a detecção é um campo organizado com cinco tarefas compartilhadas, duas novas em 2026 (plágio generativo e trajetória de raciocínio). Alta para o que o PAN faz, nula para resultados: é o documento de abertura, sem números de desempenho — e digo isso porque tentei tirar deles uma taxa de detecção e não havia.https://store.steampowered.com/app/4864520/Game_Overlay_Translator/— página de venda. Sustenta a raiz 1 no concreto: 16/07/2026, R$ 15,75, R.U Studio, OCR e tradução neural no dispositivo, 35 línguas de destino, offline, 28 análises. Alta para os fatos do produto: é a página de loja, e os atributos são verificáveis por qualquer um.https://www.mangobox.ai/about— página institucional do MangoBox. Sustenta, por ausência, a afirmação de que o emblema do tema não publica número nenhum. Alta para o que não tem: eu abri e li; a ausência é o dado.https://nexworld.wiki/en/ai-games/ai-games-panorama-2026/— panorama de jogos com IA 2025-2026. Sustenta Justice Dreamweaver (03/04/2026, topo das paradas móveis), Whispers from the Star, e as escalas de referência (Death by AI, 20 milhões em três meses). Baixa-média: é uma wiki setorial sem método declarado; usei os fatos nomeáveis (produto, data), não as métricas de engajamento como se fossem auditadas.https://www.omelete.com.br/games/pesquisa-game-brasil-2026-ia-jogos— cobertura da Pesquisa Game Brasil 2026. Sustenta 45,7% e 39,3%, e a amostra de mais de 7.000 respondentes de 16 a 55 anos, divulgada em 09/04/2026. Média: jornalismo sobre pesquisa de terceiro; o relatório original não é público e eu não o vi.https://www.camara.leg.br/noticias/1092791-segmento-de-dublagem-pede-protecao-legal-contra-uso-de-voz-gerada-por-inteligencia-artificial/— agência da Câmara, 29/08/2024. Sustenta a audiência conjunta de Cultura e Trabalho, o PL 1376/22 e o PL 2338/23. Alta: fonte primária institucional, sobre ato do próprio órgão.
12. Anexo — o levantamento bruto
Tudo o que foi levantado e não coube acima. Sem edição e sem corte silencioso.
12.1 As buscas, uma a uma
Vinte e três buscas, em português e inglês, entre as 00h e as 02h de 11/09/2026. Registro o que cada uma devolveu, inclusive as que não deram em nada — porque busca negativa é resultado.
| # | Busca | O que rendeu |
|---|---|---|
| 1 | mangobox.ai AI visual novel generator | achou o produto e a página no itch.io; nenhum número. Virou a admissão da seção 3.1. |
| 2 | Steam AI disclosure games percentage 2026 | o censo de Sulka Haro. A melhor busca da rodada. |
| 3 | NaNoWriMo AI controversy publishing AI co-authorship disclosure policy 2026 | quase nada de 2026 — os resultados eram de 2024 e de publicação acadêmica. Descartada. |
| 4 | literary prize AI co-written novel award 2026 disclosure | o caso Commonwealth. Segunda melhor busca. |
| 5 | game localization industry AI translation 2026 revenue decline | os números do Allcorrect e o MultiLingual (não aberto). |
| 6 | "Commonwealth Short Story Prize" 2026 AI response Commonwealth Foundation Granta decision | a declaração oficial de 22/06/2026. |
| 7 | itch.io AI generated content policy tag 2026 visual novel | a etiqueta AI Generated e a confirmação de que a loja não confere. |
| 8 | real-time game translation overlay 2026 Steam built-in AI translation LunaTranslator | quatro tradutores por sobreposição à venda na Steam. Mudou a raiz 1 de hipótese para fato. |
| 9 | arXiv 2026 benchmark long-form narrative coherence LLM story generation evaluation | ConStory-Bench, WSE-Bench, NARRA-Gym. |
| 10 | script to video AI 2026 Sora Veo animated series generated narrative feature | a pista do desligamento do Sora, que eu não esperava. |
| 11 | OpenAI Sora 2 deprecation September 2026 shut down video model | confirmação na tabela de depreciações. |
| 12 | IFComp interactive fiction competition AI rules 2026 generated entries ban | a regra do IFComp 2026. Origem da raiz 4. |
| 13 | Brasil PL 2338 inteligência artificial 2026 sancionada regulamentação obras direitos autorais | estado do PL 2338/23; não achei sanção, o que é o dado. |
| 14 | Audible AI narration translation 2026 titles number audiobooks AI-narrated | os 50 mil títulos "virtual voice"; virou classe de referência 3. |
| 15 | writing process provenance authorship verification tool 2026 keystroke draft history publishers | Writermark, TypeOS, PAN 2026. Origem da raiz 2. |
| 16 | Writermark proof of human authorship protocol 2026 adoption | detalhes do protocolo; nenhum número de adoção. |
| 17 | dublagem inteligência artificial Brasil 2026 dubladores lei regulamentação audiovisual | os projetos de lei e a multa de até R$ 50 mil. |
| 18 | personalized adaptive narrative product 2026 story that changes per reader shipping game | só material de venda. A busca negativa mais importante da rodada. |
| 19 | "Ren'Py" OR Twine 2026 AI integration community stance interactive fiction tools | o cisma do Ren'Py. Não estava no enunciado do tema e virou metade da raiz 4. |
| 20 | game writers union AI contract 2026 narrative designer layoffs SAG-AFTRA video game agreement | o contrato SAG-AFTRA; nada sobre roteiristas de jogo especificamente. Virou classe de referência 5, não efeito. |
| 21 | fanfiction AO3 archive of our own AI 2026 policy scraping community war | o PDF de 25 páginas e o marcador de HTML. |
| 22 | "AI slop" discovery problem 2026 storefront curation readers backlash generated fiction volume | o estudo de Chakrabarty e outros. A fonte mais forte do mapa. |
| 23 | AI-native narrative game 2026 runtime generated story shipped Steam player-created scenario | Justice Dreamweaver e Whispers from the Star. |
Buscas adicionais de verificação, que confirmaram sem acrescentar: Character.AI NovelAI AI Dungeon 2026 users, Mia Ballard "Shy Girl" Hachette cancelled, Anthropic watermark Claude outputs 2026, EU AI Act Article 50 transparency obligations August 2026, US Copyright Office AI-assisted works registration 2026, Choice of Games OR inkle OR Hosted Games AI policy, "Whispers from the Star" Anuttacon 2026, Pesquisa Game Brasil 2026 IA generativa percentual.
O que eu procurei e não achei, em ordem de importância para o mapa:
- Produto lançado de narrativa que se adapta ao leitor. Duas buscas. Só marketing.
- Número de usuários, obras ou receita do MangoBox ou de qualquer gerador de novela visual. Nenhum. O segmento inteiro é opaco.
- Dados sobre roteiristas de jogo e IA — demissões, cláusulas, contratos. O SAG-AFTRA cobre intérpretes, não quem escreve. O ofício que mais aparece no enunciado do tema é o que tem menos dado.
- Qualquer medida de quantas novelas visuais geradas existem no itch.io ou na Steam. As etiquetas existem; a contagem desagregada por gênero e por tipo de uso, não.
- O texto do mantenedor do Ren'Py em primeira mão — está atrás do Patreon. Tudo o que tenho sobre o episódio é de terceiros, dos dois lados.
- Efeito ecológico com mecanismo. Achei o argumento em uso e nenhum dado.
- Confirmação da data de encerramento do aplicativo Sora (26/04/2026). A página oficial devolveu 403.
12.2 Premissas assumidas, por não haver quem responder
O bloco briefing: cobriu os sete itens da §0. O que ele não cobriu e eu decidi sozinho:
- Quantas raízes. A skill admite de duas a quatro. Escolhi quatro porque as quatro têm mecanismos independentes (§7.4) — com três, eu teria de fundir a raiz 4 na 2, e elas não se fundem: uma é forense e a outra é normativa.
- Recusar o candidato óbvio. O briefing dizia "descubra" a disrupção-raiz, não "recuse a que o enunciado sugere". A recusa é decisão minha, argumentada na seção 4.0 e contestada por mim mesmo na 7.6.
- O que conta como "o que já é comum em produto de massa". Apliquei ao roleplay por chat, à coescrita por autocompletar e à geração de imagem. Não apliquei à geração do artefato narrativo inteiro por maturidade — recusei por outro teste (rompe o quê?), o que é uma distinção fina e discutível.
- O peso do Brasil. O briefing pedia "uma nota". Dei uma subseção (3.6) e dois efeitos da roda (e3, e3.2), porque o caso brasileiro é o único em que a regulação já se moveu sobre a narrativa — ainda que pela voz.
- O horizonte dos efeitos de 3ª ordem. Deixei três passarem de 2031 (e2.2.1, e3.2.1, e9.2.1) e declarei, como a skill exige, que estão fora da janela do mapa.
- Que "público que projeta mídia e interação" inclui quem escreve. Poderia ter lido como "quem projeta sistemas". A leitura ampla é o que faz as raízes 2 e 4 existirem.
12.3 Os efeitos cortados, e por quê
Quatro efeitos removidos na bateria da seção 7, mais seis que nunca chegaram à roda.
Removidos em 7.8:
e4.4— "Cursos de escrita criativa reorganizam o currículo em torno de procedência." Está na lista de efeitos proibidos do §3 da skill: formação reorganiza currículo serve para qualquer tema. Sem curso nomeado e sem mecanismo.e9.3— "Reguladores criam categoria jurídica nova para obra gerada." Proibido pelo §3 sem regulador nomeado — e, pior, já aconteceu: o Art. 50 é exatamente isso. Um efeito que já é fato não é efeito, é contexto. Foi para a seção 3.1.e10.2— "Universidades criam disciplina de curadoria de acervo gerado." Mesmo motivo, com o agravante declarado de que eu queria que fosse verdade.e13.2— "Surge a profissão de curador de procedência." Proibido pelo §3 (nova profissão) sem nome. A substância foi absorvida por e9.2, que tem ator nomeado.
Nunca chegaram à roda, e o teste que falharam:
- "A escrita criativa em sala de aula muda de avaliação de produto para avaliação de processo." Verdadeiro, provável, e serve para qualquer tema com IA. Falha no teste de especificidade: troque narrativa gerativa por qualquer outra tecnologia generativa e a frase continua servindo.
- "O valor de uma obra passa a estar na relação com o autor, não no texto." Bonito e vazio: sem ator concreto e sem mecanismo. É uma tese, não um efeito.
- "Aumenta a demanda por experiências ao vivo e presenciais." Serve para qualquer coisa; e, além disso, não deriva desta raiz — falha no teste da causa solta do §3.10.
- "Modelos passam a ser treinados em obras licenciadas e surge um mercado de licenciamento de corpus narrativo." Falha no teste da causa solta: aconteceria do mesmo jeito por causa dos litígios de direito autoral, que não dependem de narrativa gerativa. Pertence a outro mapa.
- "A novela visual vira o formato dominante da narrativa gerada porque é o mais barato de montar." Não achei nenhum dado que sustente dominância de formato, e a evidência de uso diz que a IA em jogo é sobretudo arte. Descartado por falta de base.
- "Leitores passam a pagar mais por obra humana verificada." É e9.1 dito de forma otimista e sem mecanismo de preço. Reescrito como e9.1 (posicionamento, não informação), que é o que eu consigo sustentar.
12.4 Fontes que não abriram, com o código
https://help.openai.com/en/articles/20001152-what-to-know-about-the-sora-discontinuation— HTTP 403. Era a fonte primária para a data de encerramento do aplicativo e da web do Sora (26/04/2026). Consequência: essa data não está no corpo do mapa; só a data de remoção da API, que veio da tabela de depreciações.https://www.adrenaline.com.br/games/pesquisa-game-brasil-2026-pgb/— HTTP 403. Era a fonte mais detalhada sobre a Pesquisa Game Brasil 2026. Consequência: os percentuais vêm do Omelete, e os detalhes de amostra (7.115 respondentes, coleta de 5 a 13/03/2026) vêm de resumo de busca e não foram conferidos numa página aberta — por isso aparecem na seção 3.6 com a origem dita.https://archiveofourown.org/admin_posts/25888— HTTP 403. Era a posição oficial do AO3 sobre raspagem e IA. Consequência: a seção 3.1 usa a análise do Substack, e a posição institucional do AO3 não está representada neste mapa. É um buraco conhecido.https://arxiv.org/pdf/2605.08503— falhou por tamanho do conteúdo no meu lado, não por erro do servidor. Usei a página/abs/do mesmo trabalho, que abriu.
Fontes que apareceram nas buscas e que eu deliberadamente não abri, para não inflar a lista com o que não usei: MultiLingual (The State of Game Localization in 2026), Precedence Research (mercado de localização até 2035), as páginas de comparação de NovelAI/AI Dungeon/Character.AI de sites de afiliados, theresanaiforthat.com, saashub.com, os agregadores de "melhores geradores de X em 2026", e o verbete da Wikipédia sobre Shy Girl. Nenhuma delas sustenta nada aqui.
12.5 Números e afirmações que eu recusei usar
- "12,6 milhões de obras raspadas do AO3 em abril de 2025." Aparece em fonte secundária, é redondo, e eu não o vi na origem. Está na seção 3.1 como contexto, e não sustenta nenhum efeito da roda.
- "52% do conteúdo novo da web é gerado por IA." Apareceu numa busca, sem método localizável. Não usei em lugar nenhum.
- "Mais de 300 mil e-books despejados antes de janeiro de 2026." Usei uma vez, na seção 4.3, como ordem de grandeza junto de números que eu verifiquei — e sinalizo aqui que ele é o mais frouxo dos três.
- "OpenAI desenvolveu marca d'água com 99,9% de acurácia e não a lançou." Consta da reportagem do CS Monitor. Não usei: é alegação sobre produto não lançado, e o número é do tipo que só existe em condição de laboratório.
- As métricas de engajamento do panorama de jogos com IA (20 milhões de jogadores, 17,7 milhões de ativos diários). Usei só na seção 3.1, como escala de referência, com a ressalva de que a fonte não declara método. Nenhum efeito depende delas.
- A projeção "metade dos lançamentos da Steam com declaração de IA em 2027-2028". É projeção de terceiro sobre série de terceiro. Usei como classe de referência (a velocidade de saturação de um regime de declaração), nunca como fato futuro.
- A afirmação de que "a Anthropic marcará todas as saídas a partir deste mês", que aparece na reportagem do CS Monitor. Fui à fonte primária e o que ela sustenta é mais estreito e mais datado: modelos futuros a partir de 14/08/2026, com transição dos antigos ao longo dos meses seguintes. É a versão que está no mapa.
12.6 Caminhos abandonados
- Montar o mapa a partir do enunciado da disciplina. A primeira estrutura que esbocei tinha como raízes "a frase vira novela visual", "a obra se adapta ao leitor" e "a tradução é instantânea" — as três disrupções que o enunciado sugere. Abandonei quando a evidência derrubou duas: a primeira por ser melhoria de custo com efeito de diluição medido, a segunda por não ter produto. Sobrou uma, e ela virou a raiz 1. As outras três raízes vieram do que a busca trouxe e o enunciado não previa: o cisma do Ren'Py, a regra do IFComp, o estudo da Amazon, a marca d'água.
- Fazer da coerência longa uma raiz.
ConStory-BencheWSE-Benchsão achados fortes, e por um momento montei uma raiz em torno de "a narrativa longa gerada não fecha". Abandonei porque isso é um limite técnico, não uma ruptura: não muda prática nenhuma, só impede que uma mude. Ficou onde deve ficar — na seção 3.2, como o que existe e não funciona, e como argumento contra o cenário em que tudo é gerado. - Tratar o desligamento do Sora como raiz. Tentador, porque é contraintuitivo. Mas uma capacidade retirada não é uma ruptura em curso; é uma advertência sobre o método de quem faz mapas. Virou o wildcard 2 e a premissa escondida nº 1.
- Um eixo sobre quadrinho gerado (
AIComicBuilder, citado no enunciado). Não encontrei evidência de 2026 sobre adoção, mercado ou reação institucional, e escrever sobre ele seria inferir a partir do que sei de outros formatos. Cortado inteiro. - Um ramo sobre educação. Tinha três efeitos esboçados e os três caíam na lista de proibidos do §3. Preferi zero efeito a três genéricos — e o custo disso é que este mapa, feito por um professor, não diz nada sobre a sala de aula. Fica registrado como lacuna deliberada.
- Usar o tema 7 (NPCs generativos) como vizinho ativo. A rodada anterior desta mesma zona cobriu o personagem que age dentro do mundo. Aqui o objeto é a história como coisa gerada, e resisti a importar efeitos de lá — inclusive os que caberiam, como o contrato de ferramentas. A fronteira foi respeitada, e o custo é que a convergência entre os dois mapas fica para quem cruzar os blocos
roda:da turma.
12.7 Saída do verificador
Saída integral de verificar.py --links, colada sem edição, rodada em 11/09/2026:
frontmatter: 18/18 campos
títulos literais: 12/12
raízes: 4 (frontmatter diz 4)
efeitos ordem 1: 14 (frontmatter diz 14)
efeitos ordem 2: 26 (frontmatter diz 26)
efeitos ordem 3: 17 (frontmatter diz 17)
prazo > horizonte (2031) em ordens 1-2: 0
prazo > horizonte em ordem 3 (permitido, mas declare): 3 [('e2.2.1', 2032), ('e3.2.1', 2032), ('e9.2.1', 2032)]
confiança ordem 1: alta 3 · media 11 · baixa 0
confiança ordem 2: alta 1 · media 16 · baixa 9
confiança ordem 3: alta 0 · media 0 · baixa 17
links da seção 11: 25/25 respondem (frontmatter diz fontes: 25)
RESULTADO: ok
Os três efeitos de 3ª ordem que passam do horizonte estão declarados, como a §3.8 da skill exige: e2.2.1 (a tipografia sai da arte, 2032), e3.2.1 (a loja vira o ponto de regulação da tradução, 2032) e e9.2.1 (quem indica fica mais conhecido que quem escreve, 2032). Os três são efeitos de terceira ordem de cadeias cujo primeiro elo é de 2028 ou 2029; pela classe de referência 2 — três a quatro anos para um regime de declaração saturar — eles não cabem em 2031, e preferi declará-los fora da janela a comprimir o prazo para fazer o número fechar.
Uma observação sobre a linha de calibração, porque ela merece leitura e não só conferência: a distribuição cai como deve (alta 3 → 1 → 0), mas a ausência de qualquer baixa na primeira ordem é o ponto em que este mapa está mais bem-comportado do que deveria. Ver a seção 7.7.