É a única aula síncrona entre a escolha de temas e o começo das apresentações. Serve para duas coisas: colocar nome e limite nos métodos que vocês estudaram sozinhos na Atividade 03, e olhar as nove skills da turma lado a lado — o que elas fazem igual, o que fazem diferente, e o que a rodada cruzada mostrou. A ordem sorteada já estará publicada desde segunda 8h.
Roteiro (100 minutos)
| Tempo | O quê |
|---|---|
| 0–10 | A ordem sorteada, as três datas de cada um (apresentação, teste, final) e o que muda com a semana do ENEXC. |
| 10–40 | Métodos de prospecção: o que cada um prescreve que uma roda ingênua não faz — e para que ele não serve. |
| 40–80 | As skills lado a lado: cinco pares que contrastam de forma instrutiva. Cada par: dois minutos de cada autor, cinco de discussão. |
| 80–95 | O que a rodada cruzada mostrou, e a skill do professor: as seis coisas que ela faz e por quê. |
| 95–100 | O que entregar até 16/09 23h59 (quem apresenta em 17/09) e como o mapa adversarial funciona na aula. |
1. Métodos de prospecção — o que cada um acrescenta, e para que não serve
Todos vieram dos ESTUDO.md de vocês ou da curadoria feita para a skill do professor. Referência completa, com os links que abriram, em skill-professor/CURADORIA.md (mostrada em aula).
Futures Wheel — Glenn (1971). Anéis concêntricos completos, não cadeias soltas; para gerar o segundo anel, esquece-se o centro e deriva-se de cada impacto primário. A "regra da unanimidade" (só entra o que todos julgam plausível) existe porque o método "leva rápido a consequências tão especulativas que valem pouco". A versão 2 obriga a percorrer domínios fixos (político, cultural, ambiental, psicológico, tecnológico, educacional, econômico) para que o economista não veja só economia. Para que não serve: nas palavras do próprio Glenn, a roda "pode fazer o grupo achar que entendeu relações causais quando só identificou correlações", e "não é melhor que o julgamento coletivo de quem está na sala". É insumo para outros métodos, não resultado.
Efeitos de 1ª, 2ª e 3ª ordem. Ordem mede distância causal, não distância no tempo: um efeito de terceira ordem pode chegar cedo e um de primeira pode demorar. O que separa uma ordem da seguinte é a troca de ator ou de mecanismo; se o "filho" é o pai mais adiante, é o mesmo efeito amadurecendo. Para que não serve: três níveis porque o formato manda não é critério de parada.
Causal Layered Analysis — Inayatullah (1998). Quatro camadas: litania (manchete), causas sistêmicas, visão de mundo, mito. Um efeito de terceira ordem que só muda a litania ("mais do mesmo") é suspeito; o que muda a visão de mundo é o que a disciplina chama de "mundo diferente". Dois conceitos para a entrevista da skill: o used future (a sua imagem do futuro é sua ou emprestada?) e o disowned future. Para que não serve: números e previsão.
Three Horizons — Sharpe et al. (2016). H1 é o sistema atual perdendo o encaixe; H3 já existe nas bordas ("bolsões do futuro no presente"); H2 é a inovação de transição, que pode ser H2+ (abre caminho para H3) ou H2− (é reabsorvida pelo H1 e vira melhoria incremental). É metade do critério de maturidade: tecnologia nova que só reforça H1 é sustentadora. Para que não serve: cronologia (não há anos por horizonte) e portfólio — o "Three Horizons" da McKinsey (1999) é outro método com o mesmo nome. Atenção aos ESTUDO.md: a turma atribuiu o método ora a "Sharpe 2013", ora a "Hodgson et al. 2006"; o artigo de referência é Sharpe, Hodgson, Leicester, Lyon e Fazey, Ecology and Society, 2016.
Disruptivo × sustentador — Bower e Christensen (1995). Sustentadora melhora o que os clientes principais já valorizam; disruptiva desempenha pior nos atributos que o mercado principal valoriza, é adotada por um mercado marginal e sobe. É o teste da seção 4 do formato: "o que ela rompe, para quem, e o que ela faz pior hoje". Para que não serve: a maioria do que se chama disruptivo no discurso é sustentador pelo critério; e o modelo é sobre estrutura de mercado, não sobre sociedade.
Difusão de inovações — Rogers (1962). Curva S por categorias (2,5 % inovadores, 13,5 % adotantes iniciais, 34 % maioria inicial…) e cinco atributos que explicam a velocidade: vantagem relativa, compatibilidade, complexidade, testabilidade, observabilidade. A regra "está em mais da metade dos dispositivos = maduro" de uma skill da turma é, em Rogers, "passou da maioria inicial". Para que não serve: dizer se e quando a decolagem ocorre — a curva descreve o que já se difundiu.
TRL — níveis de prontidão tecnológica (NASA). De 1 (pesquisa começando) a 9 (provado em operação). TRL ≤ 6 é emergente por definição. Para que não serve: adoção, prontidão regulatória ou de modelo de negócio; e foi feito para hardware, não para software, onde protótipo e produto se confundem.
Hype Cycle — Gartner, e a crítica de Dedehayir e Steinert (2016). A curva descreve expectativa, não maturidade. Na revisão de 23 casos empíricos, menos da metade mostrou o padrão completo; na reavaliação dos autores, quatro. A posição de uma tecnologia na curva é juízo de analista, não medida. Para que serve: vocabulário para "visibilidade ≠ maturidade" e um alerta: efeito de primeira ordem no pico de expectativas tende a ser superestimado. Para que não serve: prever tempo até o platô, ou justificar "é disruptivo porque a Gartner pôs no gráfico".
Quadrante Mágico — Gartner. Mede a posição de fornecedores num mercado que já existe (capacidade de execução × completude de visão). Para que não serve: futuro. Fala de mercado.
Superforecasting — Tetlock (2015). Visão de fora antes da de dentro: ache a classe de referência (que tecnologia comparável se difundiu nessa velocidade, em quanto tempo?) e só depois ajuste pelas diferenças. "Por que posso estar errado" é obrigatório. Para que não serve: efeitos de terceira ordem em 2031 raramente são resolúveis por um terceiro numa data; sem resolubilidade não há placar. O que se transfere é a disciplina do base rate, não a nota Brier.
Cone de futuros — Voros (2003). Projected (a extrapolação padrão), probable, plausible, possible, preposterous — e preferable, à parte. O teste "isto é extrapolação linear?" da seção 7 é exatamente "isto é projected disfarçado de terceira ordem?". Para que não serve: probabilidades numéricas.
Sinais fracos — Ansoff (1975), Hiltunen (2008). O signo do futuro tem três dimensões: o sinal (a observação), a questão emergente (o que pode indicar) e a interpretação — confundi-las é o erro comum. Duas notícias da mesma fonte primária contam uma. Para que não serve: um sinal fraco não é evidência de efeito; é motivo de vigilância, com indicador e limiar.
Wildcards — Petersen (1997). Baixa probabilidade, alto impacto, lista separada, cada um com "por que é improvável", "qual seria o impacto" e "que sinais observar". Para que não serve: "cisne negro" como desculpa para pôr na roda efeito sem mecanismo.
Pré-mortem — Klein (2007). "É 2031 e este mapa se mostrou errado. Por quê?" — no passado, não no condicional; a moldura força especificidade. É a forma mais barata de duvidar do próprio resultado, efeito por efeito. Para que não serve: efeito sem forma — sem mecanismo, não há o que derrubar.
Cenários — Wilkinson e Kupers (2013, sobre a Shell). Histórias, não previsões; poucos, plausíveis, escritos no passado do ano-horizonte, feitos para desafiar a estratégia. É a seção 9 do formato. Para que não serve: escolher um cenário ou dar probabilidade a ele.
Wind tunnelling. Matriz opção × cenário: o que sobrevive a todos os cenários é robusto, o que só funciona num é aposta. O experimento do movimento 3 pode ser testado assim contra os três cenários da seção 9. Para que não serve: escolher o cenário "certo".
2. As skills lado a lado
Nove skills entregues até 10/09 (a décima chega atrasada). Todas foram lidas por inteiro; o que está na tabela foi checado por script, não por impressão. As colunas são as quatro exigências do enunciado: (a) entrevista antes de rodar, (b) critério escrito para recusar o maduro, (c) passo que altera a roda ao duvidar dela, (d) saída no formato.
| login | onde roda | (a) | (b) | (c) | (d) | o que ela tem que as outras não têm |
|---|---|---|---|---|---|---|
| vafs | Claude Code | sim | sim | sim | sim | pular a entrevista rebaixa a confiança de todo o mapa — o custo é visível |
| meap | Claude Code, GPT-4o | sim | sim | sim | sim | teste da "causa solta": tira a raiz e vê se o efeito aconteceria por outro motivo |
| kvv | não declarado | sim | parcial | parcial | não | pergunta as ideias óbvias que devem ficar de fora antes de rodar |
| jcsc | Claude Code | sim | sim | sim | parcial | registra o valor original antes de rebaixar — a autocrítica é auditável |
| bvga | Codex | sim | sim | sim | sim | maturidade em duas dimensões; "quem tem incentivo para bloquear a mudança?" |
| yrv | Claude Code | sim | sim | sim | sim | cota de dano: pelo menos um efeito morto por raiz, senão "a bateria foi frouxa" |
| mjbo | Claude Code | sim | sim | sim | sim | script de checagem rodado e colado — e um bug pego porque o número não fechava |
| alpa2 | Claude.ai | sim | sim | sim | sim | só pergunta o que falta; "maduro é sobre uso comum, não sobre parecer recente" |
| jgpt | Claude (chat) | prescrito | prescrito | prescrito | sem rodada | regra para cada recusa do usuário ("pula a entrevista" ainda exige três confirmações) |
O que quase todos fizeram: a mesma entrevista (horizonte, público, geografia, descartes, viés); a tríade "rompe / por que agora / o que falta" como critério de maturidade; os quatro itens da seção 7 como contestação; o esqueleto do formato colado dentro da skill.
O que quase ninguém fez: relacionar prazo a horizonte (cinco de oito rodadas têm efeitos depois do ano-alvo sem aviso); uma regra de parada que não seja "três níveis porque o formato manda"; calibrar sinal e confiança por evidência em vez de por posição na árvore; modelar quem freia; tratar convergência entre raízes.
Os efeitos que apareceram em quatro mapas cada: "cursos e formação reorganizam o currículo" e "reguladores criam categoria ou lei nova". Servem para qualquer tema — que é a definição de efeito genérico que duas das próprias skills adotam.
Os cinco pares da aula
- yrv × jcsc — a entrevista e o horizonte. Nove perguntas com eco de confirmação, contra cinco respondidas numa linha. E o mesmo problema tratado de dois jeitos: uma escreveu a regra de prazo antes de rodar; a outra descobriu quatro prazos fora do horizonte na revisão e propôs a checagem no
DUVIDAS.md. Pergunta: o que a entrevista longa comprou, e o que a curta perdeu? - bvga × kvv — o critério de maturidade e o que a contestação faz com a roda. Uma ficha de oito campos e uma tabela de decisões com cinco proposições cortadas; uma lista recusar/aceitar e uma seção 7 em prosa que não toca em nenhum
id. A skill de kvv já foi testada por meap no tema 16 — o teste cruzado está pronto para discutir. - meap × bvga — de onde vem o
sinal. Uma skill atribuisinaleconfiançapela ordem do efeito (forte na primeira, fraco na terceira); a outra, com viés cético pedido, entregou uma roda sem nenhumforte, porquesinalé "quanta evidência existe hoje". Os dois têm red team; a comparação isola a calibração. - vafs × alpa2 — o que é "fonte lida". Uma rodou duas vezes (sem busca: zero fontes; com busca: sete links) e mostra no
DUVIDAS.mdum título de artigo quase citado errado de memória; a outra lista seis fontes por título e veículo, sem URL. Pergunta: qual dos dois erros a checagem de link pega? - mjbo × jgpt — o que a rodada revela que o
SKILL.mdnão revela. Um script de checagem com bug que "passou" com cinco seções, pego porque o número impresso não fechava; e a skill mais detalhada entre as de chat, sem nenhuma rodada.
3. O que a rodada cruzada mostrou
Os números finais (quantos testaram, quantas skills receberam teste, quais das quatro perguntas mais receberam "não") são mostrados em aula, direto da página de escolha. Duas perguntas para a sala: a skill que você testou fez o que o SKILL.md dela promete? E o que você mudaria na sua depois de rodar a de um colega?
4. A skill do professor
Foi construída em 10/09 a partir de uma curadoria de quinze skills e prompts de foresight publicados e da leitura das nove de vocês. Faz as quatro coisas do enunciado e mais estas, cada uma vinda de um lugar identificável:
- Mecanismo obrigatório em cada efeito ("porque o pai faz X") e regra de parada "sem troca de ator ou mecanismo, não é outra ordem" — resposta ao defeito que Glenn nomeia: correlação disfarçada de causa.
- Maturidade por três testes independentes: prontidão (TRL), posição na adoção (Rogers) e rompe-ou-reforça (Christensen, H2− de Sharpe). Só é raiz o que passa nos três.
- Classe de referência para todo prazo (Tetlock) e prazo dentro do horizonte nas ordens 1 e 2.
- Causa solta (de meap), quem bloqueia (de bvga), cota de dano (de yrv), valor antes e depois (de jcsc), pedir o banal na entrevista (de kvv), números impressos, não "passou" (de mjbo).
- Pré-mortem por efeito com registro de alterações auditável; um passo de dúvida que não altera nada é declarado frouxo e rodado de novo.
- Modo adversarial: ela lê só o frontmatter do documento de vocês, produz o mapa dela às cegas, e só então compara — para não ancorar no de vocês. O resultado é o material da aula: a tabela de sobreposição, o que só um dos dois mapas tem, e cinco perguntas ancoradas em
id.
O texto completo da skill é mostrado em aula e publicado aqui depois de 15/09.
Até 16/09, 23h59
Quem tirou as posições 1 e 2 entrega o documento de tendência (link na página de escolha e no Classroom). Todos os outros: o prazo de cada um aparece na mesma página, ao lado do nome.